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Tudo ao meu redor


O início, o fim e o meio

Às vezes, acho que invisto tempo demais pensando na vida, pensando, pensando, o tempo todo pensando em alguma coisa. Dizem que é porque sou muito ansiosa e sei que sou mesmo. Prefiro beber a vida em grandes goles do que em bicadas, queria saber o final da história, embora saiba que não quero estar lá tão cedo porque nesse dia será o meu fim.

O início eu estraguei com erros primários, bobos, infantis. Faltava experiência, maturidade e tentei acertar errando. É complicado explicar isso. Fiz dezenas, centenas, milhares de cagadas óbvias para o resto do planeta todo, mas que, na minha cabeça, jurava que estava fazendo melhor, jurava que estava acertando.

Assim foram as minhas primeiras escolhas sobre educação, saúde, profissão e amor. Talvez devesse ter ouvido meu pai e feito escola normal. Não teria conhecido algumas pessoas, teria mudado boa parte do meu destino. Como seria? Não faço ideia. Talvez devesse ter feito primeiro a faculdade de Direito. Quem sabe teria conhecido alguém e me casado antes de receber o meu diploma? E se tivesse feito de outro jeito, seria mais feliz? Como saber?

Minhas escolhas me trouxeram até aqui. De vez em quando penso que não é o melhor lugar e momento para se estar, mas ninguém me garante que outros caminhos teriam me levado a uma vida mais plena. Até porque eu sou do tipo de pessoa que procura estar plena em tudo. Então, mesmo quando estou chafurdando na merda, estou plena. Imagina quando estou no paraíso... ah, mas o paraíso e as nuvens são lugares que tenho visitado pouco ultimamente.

Não sei como, mas meus pés se fincaram no chão nos últimos meses. Eu ando tão outra pessoa e ainda sinto que sou eu mesma. Coisa difícil de explicar. Eu cresci de repente. Parece que comecei a entender o mundo do dia para a noite, sem querer brigar, discutir, lutar... deixei de ser o que uma amiga chama de “revoltada”. Não que tenha me tornado uma pessoa menos questionadora ou indignada. Só não tenho mais vontade de gritar pro mundo e de fazer a parte dos outros. Mal e porcamente tenho feito a minha parte. Eu quero fazer mais, quero ir além.

Quando eu tinha vinte e poucos anos, achava que iria mudar o mundo. Perdi. Não consegui nem me mudar sozinha. O mundo foi que me mudou. Também achava que quando estivesse na minha idade atual, já seria uma senhora respeitável, rica, bem profissionalmente, casada com um homem maravilhoso que me daria beijo de língua em todas as ocasiões como se fôssemos namoradinhos adolescentes e teria um casal de lindos filhos muito bem educados que eu buscaria na escola vestida num tailer super bem cortado e chique. Essa fase seria o meio.

Ah, mas a vida vem e puxa o tapete. Moro com meus pais, não sou rica, minha conta tá quase sendo fechada, nada de marido, filhos e comercial de margarina. Hoje sei que os maridos quase não beijam. Sei também que criar filhos é caro e exige uma dedicação e paciência enormes. Sei também que um tailer já não faz tanto a minha cabeça. A vida é mesmo uma piada sem graça.

Outra grande descoberta é que não estou no meio. Quando muito estou no final do começo e tudo bem que as besteiras e escolhas que fiz não me levaram a uma vida de mocinha de comédia romântica de Hollywood. Mas, sendo sincera, duvido que uma criatura inconstante como eu aguentaria tanta perfeição por muito tempo. Finalmente uma frase que me deixa parecida com a pessoa que conheço como eu.

Só que eu mudei. E agora que sei que ainda não estou no meio, quero fazer escolhas mais inteligentes, quero ser a minha melhor amiga porque jogar esse peso nas costas dos outros não é muito justo. Devo ser a única pessoa do mundo que pede para a amiga que mora em outro estado rezar para eu passar numa prova ou para eu ficar tranquila porque me sinto mais forte sabendo que ela está lá rezando. Eu sei que ela realmente está.

O mais incrível é que tem muito dessa minha amiga neste texto porque embora ela não tenha certeza, sempre dou ouvidos a tudo o que ela me diz, mesmo quando vai de encontro às minhas crenças e desejos. Acho que estou mais próxima do equilíbrio que ela tanto me aconselhou a buscar. Claro que não posso dizer que isso é definitivo.

Na verdade, nada na minha vida é definitivo. Tudo é dinâmico, mas não sei andar pra trás, então, o plano é realmente melhorar. Daqui a dez anos quero reler esse texto e rir de mim. Será que já serei uma mulher casada, mãe de dois filhos gêmeos? Ninguém sabe, mas serei plena e feliz. Acho que isso é ser bem sucedida no final das contas. 



Escrito por MSS às 23h59
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