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Tudo ao meu redor


Limpando memórias


De vez em quando, gostaria de retornar ao útero da minha mãe para estar a salvo de todos os males do mundo ou simplesmente para ter a chance de recomeçar tudo do zero, sem passado nem erros que adoraria não ter cometido. A impotência de realizar esse desejo acaba se tornando menos impactante quando posso, como consolo, deitar no colo materno pra ganhar um carinho ou para choramingar as tristezas da vida.

Ter pai e mãe ainda é a melhor coisa do mundo. Quem quiser me chamar de mimada, infantil e afins sinta-se à vontade. Talvez eu seja mesmo e estou velha demais para perder tempo negando ser isso ou aquilo, defendendo opiniões, tentando provar coisas para pessoas que não ligam para a minha opinião. Até porque é recíproco.

Hoje resolvi fazer um faxina virtual. Sempre temos que começar por algum lugar. Eu tinha quase mil e-mails não lidos. No momento restam 457. Alguns deletei sem ler. Ele estavam lá há tanto tempo esperando pra ser lidos, mas se não o foram até agora, não haveria por quê fazê-lo na hora da limpeza. Outros li e mantive alguns. Chorei sozinha pelo passado que não posso consertar. Arrependimento deveria matar porque conviver eternamente com ele é realmente uma bosta. Não aprendi a administrar a frustração da pele pra dentro. Do corpo pra fora é moleza. Estampo um sorriso na cara, faço sarcasmo da situação e minha máscara social me livra do julgamento alheio, sempre condenando aqueles que não evoluíram o suficiente para lidar com perdas.

Não sei lidar com elas. Choro há sete anos por um luto que parece que nunca terá um fim. Não sofro o tempo todo, mas sofro um pouco todo santo dia. Terapia não fecha buracos da alma. Quando muito ajuda a costurar a ferida aberta, na esperança de que cicatrize um dia. Tenho uma coleção de feridas abertas que estou tentando fechar. Tirei o ano de 2014 para fazer isso, só que tenho uma dificuldade imensa. Não sei quão bem sucedida serei ao final da empreitada, mas estou certa de que preciso retirar a maior parte desse peso das minhas costas.

E, claro, é inevitável querer retroceder no tempo, voltar pro colo da mãe e aprender a caminhar de novo. Quem sabe assim daria passos mais acertados na vida? Ninguém sabe. Então, me resta focar no otimismo, acreditar que devo ter feito coisas boas durante a jornada. Não é possível que só tenha errado. É, sei que fiz coisas boas também.

Ah, essa maldita nostalgia nocauteou minha alma por hoje... o dia está amanhecendo e ainda nem dormi. 

O tempo é tão aliado, tão inimigo...

Ah, o tempo...



Escrito por MSS às 05h00
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