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Verdades e mentiras

 

Normalmente sou taxada de grossa por minha sinceridade à flor da pele. Minha mãe, provavelmente usando de um eufemismo, costuma dizer que sou muito infantil. É, parece que a verdade ficou destinada à infância e, ainda assim, de vez em quando alguém ainda tenta disfarça-la afirmando que as crianças são cruéis ou mal educadas.

Eu penso diferente.  Somos programados desde pequenos a mentir para sermos gentis e a partir daí, perdemos completamente o controle sobre o direito de dizer o que pensamos e o que sentimos. Aprendemos a mentir para não magoar as pessoas. Será que isso é mesmo o correto?

No último domingo, estava brincando com meu sobrinho de quatro anos e ele disse que estou gorducha. Meu irmão ficou horrorizado e disse que  depois teria uma conversa com o menino.

É óbvio que não dei pulinhos de alegria com a afirmação. Mas, sendo honesta, o pequeno tem razão: estou gorducha, na verdade, imensa, gorda mesmo, obesa, com uma linha de cintura enorme, precisando urgentemente de dieta e de atividade física. Ainda bem que o vocabulário dele é primário demais para chegar a todas essas conclusões.

Mas, o importante é que ele disse a verdade. Ao longo da vidinha dele, vai aprender a usar eufemismos. Talvez, se fosse daqui a vinte anos, ele dissesse algo como: “titia, você precisa cuidar da saúde. Está se alimentando corretamente? Precisa de atividade física”. 

Quando comento com minhas amigas que engordei, sempre ouço que estou ótima, que estou linda, blá blá blá... conversa fiada! Só um menino de quatro anos para ser honesto e me dar um choque de realidade. Ele e a maldita calça jeans não mentem.

A diferença é que ele será educado para o socialmente aceitável, por isso, daqui a um tempo, vou ter que contar com meu falido bom senso e com a calça jeans somente. Porém, em relação a outras coisas da vida, provavelmente nunca vou saber a verdade: se o almoço que fiz estava gostoso; se a nova decoração da sala ficou boa; se ele gostou do presente de aniversário e por aí vai.

Vivemos em um mundo onde as pessoas não estão preparadas para a verdade. A gente cresce ouvindo e concordando que a verdade dói. E para não magoarmos uns aos outros, mascaramos, engolimos sapos, fingimos que não vimos, que não entendemos. E quando ouvimos uma verdade, ficamos fragilizados, como se fôssemos de cristal e alguém tivesse nos arremessado ao chão. Quanto drama!

Não sei se é a maturidade ou a paciência que me é furtada aos pouquinhos a cada aniversário, mas não tenho mais vontade de faltar com a verdade. Vai doer em muita gente. Fazer o quê? Posso andar com uma placa com uma advertência escrita: “só fale comigo, se estiver pronto para a verdade”. Talvez funcione, talvez não.

Quem sabe os que me acham grossa tenham razão... pode ser que mamãe esteja certa e eu  realmente seja infantil. Só que assim como ninguém me perguntou se queria nascer, ninguém perguntou se queria crescer. Tem coisas que admiro nas crianças: a sinceridade, a espontaneidade, o fato de viverem o aqui e o agora e graças a Deus são coisas que não perdi só porque fiquei adulta.

Normalmente, digo que os adultos são muito chatos porque a maioria das pessoas fica mesmo insuportável depois que cresce. Acho louvável quem consegue conservar a sua criança interior e a minha tá vivinha da Silva.

E quem quiser me achar qualquer coisa, ache porque não estou aqui para agradar.  Muitas vezes não consigo agradar nem a mim, imagine aos outros. Admitir isso em público é sinal de maturidade e honestidade, coisas de criança. Antes de mentir, seja o peso, a idade, a opinião, lembre-se do que o poeta dizia: “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. 


 



Escrito por MSS às 03h41
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