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Tudo ao meu redor


Realizando sonhos

Para quem acredita em destino existem duas maneiras de ver situações negativas: como um sinal para mudar o rumo ou como uma pedra no caminho que se deve superar. Não sei se é porque sou uma pessoa extremamente teimosa, mas tendo a crer que as adversidades são apenas obstáculos que podem e devem ser superados.

E assim começou uma jornada para uma viagem que parecia impossível. A princípio, oito mulheres determinadas a irem a São Paulo assistir o show do Bon Jovi. Então, veio a pedra número um: perdi meu emprego. Eu tinha pago os ingressos, as passagens, mas estava levando minha irmã, e por isso, me comprometi a pagar o dela. Os meses que se passaram entre essa compra e a véspera da viagem foram de muitas renúncias e cálculos.

Faltando umas duas semanas, veio a pedra número dois: minha irmã desistiu de ir. Então, recomecei a fazer cálculos e a solicitar reimbolsos, um verdadeiro transtorno. Mas, ainda assim, parecia tudo certo, mesmo com esse imprevisto.

Dias antes do show, esbarrei na pedra número três: a data do show foi alterada porque o baterista teve apendicite. O destino só poderia estar brincando comigo. Enviei e-mails para as meninas que ainda iam. Entramos em contato com as companhias aéreas e fomos informadas de que para alterar o voo, que havia sido uma bagatela comprado com antecedência, teríamos de pagar multa e mais taxas que somariam mais de oitocentos reais.

Pedra número quatro: No início, éramos oito, depois sete, a partir dessa alteração na data, apenas duas amigas estavam confirmadíssimas. As demais desistiram. Eu queria muito ir, mas tinha a pedra número cinco, minhas amigas compraram passagens em uma companhia diferente da que comprei e eu não voo sozinha nem por milhões de dólares.

Iniciou-se então uma corrida contra o tempo na tentativa de me encaixar no mesmo voo que as meninas, num assento perto do delas, de preferência ABC ou DEF, e, ao mesmo tempo, pedir o ressarcimento na outra companhia.

Deus ajuda a quem acredita e conseguimos milagrosamente resolver todos esses percalços. Mas é claro que tinha a pedra número seis: eu precisava de dinheiro. Fui tentar sacar meu FGTS, e se por um lado consegui, de outro não me serviria de nada, uma vez que ele só cairia na minha conta uma semana após eu voltar da viagem. Então, consegui um bico de última hora e faturei não uma fortuna, mas o suficiente pra comer, pagar o hotel e o transporte nos dias em que ficaria em São Paulo.

Malas prontas, decolamos e passamos quatro dias incríveis numa das cidades que mais amo no mundo. Viagem mais que perfeita. Andávamos o dia todo em busca de liquidações e turistando e curtíamos um pouco da maravilhosa noite paulistana.

O show foi debaixo de chuva, mas também trouxe momentos emocionantes. Claro que tivemos algumas pedras como passar mais de duas horas numa fila que dava a volta no Estádio do Morumbi, num terreno íngreme, cheio de descidas e subidas, uma verdadeira ginástica (só que a gente já havia andando e dançado horrores nos dias e noites anteriores). A volta pro hotel foi outra pedrinha: caminhamos mais dez quilômetros até conseguir um táxi, isso debaixo de uma chuva forte. Mas, valeu a pena.

Desde que voltei para casa, só penso em começar a planejar a próxima viagem. Além disso, estou esperando meus pés desincharem, apesar de já ter se passado uma semana. O sono é outra coisa que não estou conseguindo por em dia... uma hora consigo.

E de toda essa forte experiência, o que mais me marcou é que quando a gente quer muito uma coisa, não importa quantos obstáculos surgirão ou quantos não serão ditos, sempre é possível encontrar uma maneira de realizar um sonho. Eu sempre digo que meus sonhos não têm preço, e quando falo isso não me refiro apenas a dinheiro. Muitas vezes, para conseguir algo é preciso abrir mão de outra coisa, então, no meu caso, abro sem medo por ter certeza de que a felicidade é a coisa mais importante do mundo. 

Quando ainda estava em São Paulo liguei para a minha mãe e ela me perguntou como eu estava. A resposta foi: "Mãe, eu tô muito feliz!" e acho que foi uma das raras vezes na minha vida em que disse isso com a alma, com o coração, com a consciência plena de estar vivenciando um momento de felicidade. Foi tão genuíno, forte, sincero...foi uma sensação que adoraria capturar e sentir perpetuamente, mas isso não é possível. Vou sentir algo assim de novo, tenho certeza, só não sei quando. Como disse o poeta "quem acredita sempre alcança".



Escrito por MSS às 05h04
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