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Tudo ao meu redor


Sobre perdas

Ontem eu tive um insight sobre o quanto vamos perdendo desde que nascemos até a morte.

Tudo começa quando somos expulsos do útero e temos o cordão umbilical cortado. Primeiras grandes perdas. A sensação de calor, amor e proteção até então experimentadas não se repitirá em nenhum outro momento da vida.

Então, começamos a crescer. Perdemos dentes, perdemos entes e vamos perdendo uma porção de coisas. De algumas delas não sentiremos falta. Até faremos festa para comemorar. Outras lamentaremos à exaustão, derramando rios de lágrimas, perdendo noites de sono, o apetite e, de vez em quando, até a vontade de viver.

Não tenho ideia de como nos tornamos fortes para resistir a tantas perdas e o sofrimento que vem junto com elas. Talvez por isso a gente já tenha de nascer perdendo, para ir adquirindo o costume antes mesmo de aprender a falar, mesmo antes de saber o que é sentimento e que, com exceção dos psicopatas, todo mundo sente.

Acho que a gente cresce com a dor. Bom, pelo menos eu aparentemente só consigo aprender com algumas doses de sofrimento. Não quero saber da experiência alheia para aprender. Quero sentir na minha carne e descobrir do meu jeito como alguma coisa é. Sempre fui assim, um ser que pretende encontrar seu próprio jeito de sentir e reagir. Portanto, lições prontas não me interessam. E sou assim com tudo, para o bem e para o mal, para ganhar e para perder.

No momento, estou tão perdida que até meu modo de lidar com o tempo está ao contrário. Virei uma vampira acordada a noite toda, dormindo o dia todo. Perdi a noção do tempo e do espaço, assim como perdi o emprego, assim como já perdi amores, já perdi objetos, já perdi a hora... depois, sempre tentei resgatar. Talvez porque depois que minha avó morreu, entendi que nem tudo pode ser resgatado.  Mas, creio que ela sabe que eu teria dado mais tempo e atenção a ela, se soubesse que seria levada de nós tão de repente. Sempre sonho com ela e sei que cada benção que ela me deu em vida seguirá me abençoando até o fim dos meus dias.

Eu não queria perder para perceber o significado e a importância das coisas na minha vida. Mas essa é uma lição que não consigo tirar do campo do conhecimento para aplicar na prática. Seria eu a mais estúpida criatura sobre a Terra? Talvez. Já perdi a pretensão de me achar a mais esperta, a mais bonita, a mais invencível... eu me convenci de que sou tão pequena diante de Deus e do mundo. 

Agora é hora de tentar encontrar equilíbrio, paz, sabedoria e força de vontade pra me redescobrir e para não deixar mais nada se perder antes que eu possa realmente sentir o gosto, saber o significado e, no caso das pessoas demonstrar o quanto elas são importantes para mim. A vida não pode se tornar um eterno lamentar por más escolhas. 



Escrito por MSS às 05h23
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