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Tudo ao meu redor
 


Viciada em Facebook

            Logo quando entrei no Facebook (FB, para os íntimos), cheguei a postar que o odiava. Na verdade, acho que se tratava de um mecanismo de defesa do subconsciente que tentava lutar contra a corrente e que deveria saber o motivo: Essa porra vicia!!!!!

            É como um feitiço, uma hipnose, uma sedução lenta e gradual. Começa com aquela história de querer manter contato, já que as pessoas preferem relações de mentirinha hoje em dia, sem olho no olho, no máximo, webcam na webcam; sem toque nem nada que nos faça humanos.

            Depois vem aquele lance de contatos profissionais, informações importantes sobre promoções, eventos, empresas e outras cositas.

            Quando você pára para pensar, já era. Você é um viciado em FB! O meu vício chegou ao ponto de escrever toda a minha monografia de conclusão de curso com o FB conectado, só para não perder nenhum lance.

            Isso não pode ser normal. Antes, eu chegava ao trabalho e a primeira coisa que fazia era ler as notícias. Agora é checar as novidades da minha rede social preferida, onde passo pelo menos quatro horas diárias.

            Acha que é pouco? Imagine se eu estudasse quatro horas seguidas para um concurso público todo santo dia. Eu teria muitas chances de passar, correto?

            É, acho que está na hora de criarem os FB Anônimos para tratar todos aqueles que, como eu, aderiram a essa nova e equivocada forma de vida. Dizem que para curar um vício, o primeiro passo é reconhecer a dependência.

            Primeiro passo dado, resta-me descobrir os próximos e difundi-los, porque tenho muitos amigos que estão online 24 horas. Talvez, eles nem percebam, mas, também estão sofrendo do mesmo mal que eu.

            Vamos nos desconectar da rede e nos conectar de verdade, minha gente!



Escrito por MSS às 01h23
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Comunicar é preciso, viver também

Hoje assisti uma palestra sobre a apresentação da monografia. Um tédio total. Mas, o que realmente me marcou na fala da professora foi uma citação feita ao final fala sobre o sofrimento de parir um texto.

Não sei se é porque comecei muito nova, (com oito anos já escrevia poesias), mas, nunca senti esse tal sofrimento. Os textos fluem simplesmente. É claro que nem todos são bons. E, nesse sentido, talvez, quem escreve é um genitor muito mais cruel, haja vista que os pais sempre acham seus filhos lindos e perfeitos. O autor, não.

Quantas vezes já morri de vergonha de mim por conta daquela porcaria de reportagem mal escrita ou daquela poesia ridícula e brega ou de algum post para o blog com criatividade e originalidade zero? Daí a dizer que sofri para parir meus textos porcarias seria um exagero.

            O que realmente acho que acontece é que existem pessoas com o dom para a escrita e outras sem. Assim como sou uma negação com números. Se acho alguns dos meus textos ruins, pense em como lido com meu passado matemático. Meus futuros filhos não terão uma boa mãe para ensinar-lhes as lições de casa. Espero que eles puxem a genética de outro ser da família no que diz respeito às ciências exatas.

            Sou uma criatura muito inconstante pra ser boa em qualquer coisa que exija exatidão. Bom, minhas profissões clamam por alguma exatidão, seja na veracidade da narrativa de um fato, seja na aplicação correta da lei, mas, são outros quinhentos.

            O que me deixou pensativa foi o questionamento a respeito da dificuldade que algumas pessoas têm em se expressar. Para mim é tão fácil. Oralmente, de vez em quando, sou um desastre, mas é porque minhas emoções atropelam meu raciocínio, sou visceral demais. Se tá doendo eu expresso até passar; se me alegra, quero que o mundo inteiro perceba minha alegria. E não falo só com palavras. Meu corpo inteiro fala: meus olhos, meu sorriso, meus braços, sou performática mesmo, como observou um amigo certa vez.

            De repente, eu deveria me arriscar no teatro. Sempre tive vontade. Com meus trinta e poucos anos não vou ser a nova “atriz-revelação” da Rede Globo. Mas, quem sabe posso matar minha curiosidade e angariar mais uma ferramenta de expressão? Comunicar-me é uma necessidade vital, quase como respirar, e sou tão grata a Deus por saber, sem falsa modéstia, que sou boa nisso. 



Escrito por MSS às 01h02
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NOVIS

Entrei para uma nova fase: a do experimentar. Se alguém me dissesse há dez anos que a gente ainda tinha o que aprender depois dos trinta, com certeza, aquele ar de sabe-tudo da juventude me faria desacreditar.

A mais recente dessas novidades foi uma festa à fantasia. Fui a caráter, de palhaça. Nada combinaria com o papel que mais tenho exercido em relação aos homens. Mas, parece que serviu para desencantar.

Finalmente, comecei a ter atitudes mais condizentes com quem não pretende ser passada para trás. Apesar da minha fama de má, no fundo, eu sou a mais trouxa de todas as trouxas. Então, não responder mensagens de gente idiota, melhor ainda, parar de me relacionar com gente idiota, parece o início de uma nova era na minha vida.

A festa foi tudo de bom. Parece que as pessoas se soltam mais quando estão fantasiadas. Até peguei um gatinho. Ah, vamos fazer jus ao rapaz: peguei O gatão, rs. Agora sim, falei a verdade.

Estou me surpreendendo comigo. Parece que finalmente cansei de brincar de Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido. Porque ex-vivo não te torna viúva, pode acreditar. Resolvi dar chances a mim mesma, porque é isso que acontece quando a gente se abre para o amor.

Tudo bem que nunca deixei de dar chance ao amor, mas estava fazendo do jeito errado. Eu via que estava embarcando na canoa furada e ia sorrindo, como quem está a caminho do paraíso. Quanta insensatez!! Agora não. Embora ainda esteja apaixonada pelo homem errado, estou me empenhando para esbarrar com o certo. Acho que para um caso perdido como eu, já é um bom começo.

E a temporada de festas está só começando. Minha agenda está lotando até julho e isso me deixa muito feliz. Que venha o novo e que seja saboroso.



Escrito por MSS às 03h22
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Quando o ex vira o atual da outra

Domingão, eu trabalhando como qualquer mortal que não nasceu rico, minha amiga telefona e como quem conta a maior catástrofe do mundo, nem me diz “oi”, simplesmente dispara:

– Fernando casou!

                – Como assim? – Pergunto tentando me situar.  – Quem te falou isso?

– A mãe dele. – Ela responde.

A partir daí, tento retirar da cartola meu discurso mágico de que já faz mais de quatro anos que eles se separaram, que esse tempo todo ela nunca o procurou, mas, nada adianta, o que interessa é que ele não casou com ela, casou com a outra.

Minha vasta experiência no assunto não a consola em nada, por mais que eu garanta que essa sensação vai passar. Só que eu saiba, já são três ex-namorados dividindo escovas de dente com outra mulher. Cheguei a ir num dos casamentos, já que a noiva fez questão de me convidar. Fui como a viúva no enterro, exercitando a ideia de que se antes não havia sido o fim, a partir daquele momento era o fim. Mas, nem pensem que fui de preto. Vesti uma frente única dourada comprada especialmente para a ocasião, com uma saia preta e uma das sandálias mais lindas que já comprei (também adquirida especialmente para a cerimônia). Estava com os cabelos feitos luzes e eu brilhava, só não mais que a noiva, afinal sou uma pessoa educada e não fui para ofuscá-la, fui apenas para brilhar.

Todas as reviravoltas amorosas que minha vida já teve serviram para me mostrar que por mais que doa, a gente consegue superar o fim do amor,  mesmo que ele ainda viva, só que apenas na gente. Mas, como fazer minha amiga entender isso? Impossível. Ela vai ter de sofrer e aprender a entender e a lidar com essa dorzinha, descobrir qual a porcentagem de ego ferido nela, qual a porcentagem de “perdi meu plano B” que tem nisso e o quanto realmente é amor perdido. Acho que quase toda mulher pensa que existe um homem no mundo esperando por ela, para o caso de nada mais dar certo e tenho a impressão de que o ex-namorado dela era o “plano B”.

Eu mesma tenho um alfabeto inteiro de planos, mas, de vez em quando, um deles casa ou começa a morar junto ou se muda para outro país ou inventa de ter um filho com alguém, todas alternativas que os retira da lista, logicamente. Aí, acabo tendo de procurar novos “amores substitutos”. É um processo meio intuitivo, bem menos racional e planejado do que possa parecer. Tem a ver com o fato de que a fila anda. Desde que meu noivado acabou, não namorei ninguém, mas, me relacionei de diferentes maneiras com muitos homens e pude aprender com eles coisas que jamais saberia se tivesse me casado. Quando penso nas histórias que vivi, em tudo o que conquistei e vivi, tenho certeza de que não era para ser e gostaria que toda mulher conseguisse ter essa percepção.

Não temos que pensar em “o que ela tem que eu não tenho?” ou “por que ele não me escolheu?”, como se houvesse uma imperfeição insuperável, um problema insolúvel que a torna a escolha errada. Não é nada disso. Algumas pessoas combinam outras não. Faz parte da vida. E só porque o fulano não te quer, não significa que não existam homens que dariam um braço por um olhar ou um sorriso seu. Enquanto não casei, tive amigos que casaram e permaneceram casados, outros que já se casaram três vezes nesse intervalo minúsculo de tempo, o que acho exagero, talvez até uma certa banalização do amor, mas não os recrimino. Pelo menos eles estão indo à luta pela felicidade, que é o que todos nós devemos fazer.

Já falei para várias amigas que não existe o tele-príncipe. O cara certo não vai bater na sua porta. É preciso estar aberta para que ele chegue. E, normalmente, ouço todo tipo de desculpa: é porque estou gorda; é porque trabalho demais; é porque não gosto da balada; é porque não sou loira; é porque meu salário é astronômico; é porque sou inteligente demais e por aí segue uma lista interminável.

Tenho amigas morenas que casaram, amigas gordinhas que casaram, amigas inteligentíssimas que casaram, que não vão para a balada, que ganham bem, enfim, toda que encontraram suas caras-metades sem precisar fazer algo que as contrariassem. É claro que as vi ceder um pouco em vários aspectos, até porque é preciso ceder mesmo. Os inflexíveis não se relacionam. Mas não vi nenhuma precisa perder trinta quilos ou oxigenar o cabelo para arrumar um homem que realmente sentisse amor por ela e quisesse construir uma família.

O mais importante é perceber que a gente só não conquista determinadas coisas porque se autosabota o tempo todo. Porque quando você descobre que o cara que amava casou com outra, em vez de sair correndo atrás do cara que você diz que ama agora, simplesmente se tranca no quarto para chorar e querer morrer por algo que havia acabado há muito. Isso é tão irracional.

Eu já chorei muito pelos amores que se foram. Sou campeã nessa modalidade esportiva. Mas, ainda assim, não perdi a esperança. Todo dia saio atrás da minha felicidade e não importa quantos foras e quantos “nãos” vou ouvir porque realmente acredito no amor, no seu poder de fazer a coisa acontecer. Então, quando quero falar, telefono. Telefono um milhão de vezes se der na telha. Mando flores, mando e-mail, mando SMS, chamo no bate papo, chamo para sair, me arrumo, me viro nos 30.

Pode até ser que no final esteja sozinha, mas, estarei certa de que lutei com todas as minhas armas, que não me acomodei ou me sentei de frente para a janela esperando a banda passar. Não! A vida passa muito rápido e a gente tem que ser feliz para ontem. Declarações de amor, assim como as cartas de amor são ridículas, já dizia o poeta. Porém, não me importo de ser ridícula, me importo de ser rasa, morna, alheia, isso tudo me incomoda muito mais. Que me achem ridícula, não durmo abraçada com o pensamento de ninguém a meu respeito. Por isso sou eu mesma o tempo todo: xingo, brigo, grito, canto, dou risada, choro, reclamo, estou viva e nas minhas veias corre sangue quente. Meu coração está batendo porque ainda não morri para a vida e não morri para o amor. Que ele seja eterno enquanto dure e que ele seja eterno no nosso coração porque a gente sempre pode guardar como relíquia os bons momentos passados ao lado de um ex-amor. Só não podemos nos enterrar junto com eles. A vida é o aqui e o agora.



Escrito por MSS às 22h53
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Bem, eu estava escrevendo somente a mais bela declaração de amor que já consegui, quando este computador sabotador filho de uma p... louca me sacaneou, fazendo meu texto ir pro saco! Mas, apesar da minha revolta neste instante, diria mais, diria do ódio gigantesco que estou sentindo nesse momento, nada poderá me impedir de dizer que estou sim apaixonada pelo homem mais indecifrável que já conheci. E que mesmo ele me deixando louca da vida, confusa e perdida por conta das atitudes insensatas dele, pelo fato dele ser indeciso e nunca ter uma resposta na ponta da língua, ainda assim não enxergo mais nada ao meu redor se ele está por perto.

A sua simples aparição é suficiente para o meu coração disparar e eu perder o rebolado por completo, me tornando insegura, sem saber o que fazer, nem o que dizer. Por isso, muitas vezes eu digo a coisa errada, eu faço tudo errado, porque meu cérebro não funciona direito quando meu coração está gritando: eu te amo!!! e isso sempre acontece quando a gente está junto.

Ficar abraçada sentindo seus batimentos cardíacos é a melhor sensação do mundo. Melhor que isso só ser beijada por esse ser que mesmo cheio de complicações e defeitos é a razão dos meus sorrisos mais largos e do brilho nos meus olhos. E é tão difícil guardar todo esse sentimento só para mim que quero compartilhar com o mundo inteiro o fato de eu ser uma boba apaixonada, o fato de eu estar perdendo o sono de tanta saudade, de tanta vontade de te ouvir dizer qualquer palavra com esse seu sotaque mineiro horroroso, de acariciar seu rosto novamente e te encher de beijos.

Ah, se você soubesse a diferença que faz na minha vida...



Escrito por MSS às 02h26
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Feriadão

Deus sabe o quanto tentei me divertir no feriadão. Eu era a mais animada desde a segunda-feira, imaginando que teria quatro dias para viver la vida loca, mas estava enganada a respeito dos planos que o destino me reservava.

 

Meu “calvário” teve início na quinta-feira e isso não foi um trocadilho. Sem inspiração para monografar, achei que deveria espairecer para voltar mais leve. Mas essa ideia permaneceu no mundo das ideias. Só uma única amiga sairia para um programa que eu até toparia, mas, minhas intenções eram realmente outras, então, declinei do convite na esperança de encontrar alguma alternativa que não me fizesse permanecer sentada a noite inteira numa mesa de bar rodeada de calcinhas bêbadas por todos os lados. O resultado da minha ingratidão foi ficar em casa.

 

Mas, apenas ficar em casa seria pouco castigo para mim, que já estava deprimida e sem um chocolatinho diet sequer para me acalmar. Estava curtindo uma dor-de-cotovelo violentíssima, sentindo a falta do grande imbecil que rouba meu sono. Ainda não entendo por quê permito que o babaca me mantenha acordada à distância, mas, fazer o quê? O maior clichê do mundo também é uma das maiores verdades do mundo: O coração tem razões que a razão desconhece. O meu é estupidamente irracional. Diria que é um asno ou uma anta, mas estaria ofendendo injustamente os bichinhos. Então, é óbvio que eu tive uma crise básica de choro, essas que as mulheres se dão ao luxo quando se trancam no quarto e colocam um som que abafe os soluços. É óbvio, também que escolhi uma trilha sonora daquelas que causam comoção.

 

Então, depois desse drama todo, resolvi reagir, afinal sou uma mulher e não uma ratazana. Eu ia tomar um banho e me sentir inteira de novo. Só que havia uma barata na porta de cima do guarda-roupa. Não sei se sou a única anormal que tem veneno para barata no quarto, mas o meu é pensando nas lagartixas que insistem em pegar o caminho errado para qualquer lugar para onde se dirijam e incluem meu bedroom na rota. Já devo ter mencionado aqui em algum momento meu pavor às lagartixas, então, prefiro estar preparada para quando elas aparecerem. Fato é que aproveitei que já tenho o veneno mesmo e borrifei na desgracenta da barata e fui para o banheiro tomar minha chuveirada relaxante. O que eu não contava é que a filha do cão da barata era voadora e foi me seguindo até o banheiro do meu quarto pousando em cima do meu pé. Foi a segunda vez que uma barata subiu no meu pé. Sensação asquerosa e o que me preocupa é a certeza de que se minha amiga estiver certa, tudo o que acontece duas vezes, vai acontecer uma terceira. Que merda! Posso me preparar psicologicamente para mais uma barata nas pernas. Mas, voltando à quinta, comecei a pular, a tosca, então, voou para o meu vestido. Comecei a balançá-lo como se estivesse dançando cancã, uma cena realmente cômica, se não fosse trágica. Nisso, a barata que já estava tonta, não sei se do veneno ou das minhas balançadas no vestuário caiu no chão, momento em que me aproveitei para dar uma chinelada. Em seguida, com todo o nojo feminino, peguei-a fazendo uma pinça com os chinelos e joguei na privada. Dei descarga uns cinco minutos e acho que essa barata já deve estar nos esgotos de Paris de tanta descarga que dei. Enterro chique e nada digno dela.

 

É claro que após despachar os restos mortais da pobre, caí no choro. Estava no auge da derrota, me sentindo mal e ainda por cima molestada por uma barata. Mulher menstruada quando quer fazer drama, usa qualquer acontecimento para tal. Não sou diferente. Eu queria era chorar. Pior é que na minha luta corporal com o maldito bicho, bati meu joelho na pia e ganhei um hematoma gigante e dolorido para completar a quinta.

 

            Na sexta, estava melhor, afinal, depois de toda a tragédia da quinta, rezei horrores e rezar sempre me ajuda a renascer. Mas, resolvi ficar quietinha, afinal, o dia seguinte seria sábado e “de aleluia”, minha sorte mudaria. Mudaria? Não. Nada para fazer, ninguém a fim de sair. Encontrei uma filhinha de Deus que me chamou para uma festa. Demorei para animar, mas resolvi ir. Só que tinha o problema da carona. Gastei alguma energia e muitas horas do sábado tentando achar um cristão que pudesse ir comigo, mas, foi em vão. O único ser que ia, me avisou que estava de carona com mais cinco caras. Fico pensando em como os homens são burros. Se eu fosse um cara e paquerasse uma menina (o que era o caso) e ela me perguntasse sobre a possibilidade de carona, eu me livraria dos cuecas na hora. Eles obviamente iriam entender minha predileção por ir com a guria. Mas, estamos em Brasília, a cidade dos homens não pensantes, então, parece evidente que ele nem por um segundo pensou em se dar bem. Beleza, não fui para a festa. Azar o dele. Qualquer chance mínima, deixou de existir.

 

            No domingo nem inventei nada para não nadar e morrer na praia. No fundo, só queria que a segunda chegasse logo para resolver um monte de pepinos burocráticos, estudar para as provas que começam hoje, vir para o estágio do núcleo e me sentir útil para mim e para a sociedade. Eu só não queria mais estar naquele feriadão que comemorei há uma semana atrás. Foi traumatizante. Espero que demore séculos até o próximo porque não preciso de mais quatro dias desse tipo. As chances de pular da ponte, em caso de repeteco, são inúmeras.

 

            Nunca imaginei que fosse dizer isso, mas, finalmente é segunda-feira, o dia que tanto odeio e que, de repente, passei a apreciar porque nesse caso não foi o salto ao mundo real do qual tento fugir exaustivamente, e sim o acordar de um pesadelo que estava acabando comigo. Viva a segunda-feira!!!

 



Escrito por MSS às 15h33
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Divã

Todo mundo tem pelo menos um dom. Um dos meus raros é ser boa ouvinte e boa conselheira. De vez em quando, até me pego pensando em aventurar-me num terceiro curso de nível superior, dessa vez em Psicologia, devido ao meu talento para a coisa.

 

Entretanto, alguns aspectos de ouvir demais são negativos. Para quem não sabe, pessoas do signo de peixes, além de místicas, são verdadeiras esponjas emocionais. Assim sendo, se estou cercada de alegria, fico contagiada e feliz. Por outro lado, se a energia é excessivamente negativa, me contamina e fico down, capaz de literalmente adoecer.

 

Por isso, há algum tempo venho evitando pessoas que estão sempre depressivas, reclamando da vida e que nunca têm nada de bom para contar. Não faço isso por ser malvada ou insensível como pode parecer. Mas é que tem gente que por mais que receba incentivo e palavras de otimismo, gosta mesmo é de chafurdar na lama. São pessoas tão abaladas sob os aspectos psicológico, emocional, espiritual e até racional, que nem percebem que ainda que recebam uma injeção de adrenalina vão continuar cavando para baixo, curtindo o marasmo de serem vítimas de um destino cruel ou de um Deus sarcástico que as puseram no mundo para sofrer (totalmente diferente do Deus no qual acredito).

 

Acredito que algumas pessoas nem percebem o quanto gostam de estar por baixo. Inconscientemente, elas crêem que é a única maneira de receber atenção e carinho. Então, se auto-sabotam 24 horas por dia, buscando a infelicidade infinita. Falo isso porque elas criam um ideal de felicidade inatingível. Resolvem que só vão ser felizes se alcançarem o intangível, então, nunca estão satisfeitas. São pessoas que acham que para ser feliz precisam perder trinta quilos ou ganhar um milhão de reais por mês ou ser a Angelina Jolie ou dirigir um carro importado diferente a cada dia da semana, enfim, sonham com coisas realmente difíceis e depositam toda a sua felicidade na realização desses sonhos. Ou seja, se programam para a frustração contínua.

 

Que todo mundo precisa de terapia, eu sempre soube. Mas, nunca imaginei em voltar para a terapia porque tem gente demais vomitando insatisfação em cima de mim. Tem dias que fico esgotada por conta de problemas que não são meus. Desisti de ser a palmatória do mundo de ontem para hoje. Quero sim ouvir meus amigos e dar conselhos. Mas, quero que as pessoas comecem a se ajudar mais, a correr atrás do próprio prejuízo. Não vim ao mundo para salvar ninguém. Não dou conta nem de mim! Preciso de férias da função de “psicóloga online gratuita”.

 

Se cada pessoa investir sua energia em pensamentos e ações positivas e correr atrás em vez de ficar reclamando das coisas que não estão dando certo, a qualidade de vida delas vai melhorar consideravelmente. Vamos aprender a ser felizes e gratos pelas pessoas que temos nas nossas vidas, pelas conquistas que já conseguimos. Se o foco é a felicidade, vamos cavar pra cima, para sair do buraco. Chega de reclamar e não tomar atitudes. Palavras sem atitudes não mudam situações. Coragem!!!

 



Escrito por MSS às 10h36
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Descobertas

 

Sei que ando sumida, mas, meu tempo está curto demais para escrever. Quando a gente vive, tem pouco tempo para dividir as experiências. Assim têm sido meus últimos dias.

 

Estou redescobrindo alguns sabores como o de beijar alguém por quem se é desesperadamente apaixonada e depois sentir falta desse alguém enquanto se reza diariamente para que ele dê sinais de vida. Eu e meus amores difíceis!!! Pior ou melhor, depende do ponto de vista, é que são amores requentados também.

 

Fora isso, andei repensando minha fé na humanidade e percebi que apesar de o mundo ser permeado de gente escrota, ainda há salvação, uma pequena luz no final do túnel. Confirmei o que eu já sabia: as pessoas surpreendem e a ajuda normalmente vem de onde menos imaginamos. A vida pode nos surpreender.

 

E, falando em surpresas, minha relação de amor e ódio em relação à monografia está me surpreendendo também. Acho que estou começando a amá-la simplesmente, o que tem tornado o processo mais fácil. Não tenho mais como brigar com ela, porque os prazos não mudam para se adequar ao meu humor. Então, ou eu me empenho ou eu reprovo. A primeira alternativa é mais atraente.

 

Não sei que tipo de jornalista a comunicação brasileira está perdendo, mas, sei que uma boa operadora do Direito está nascendo em mim. A curiosidade em relação a tudo o que envolve essa nova profissão e a vontade de ser bem-sucedida nela estão me alimentando devagar, mas, de uma forma que nunca imaginei.

 

Hoje sei mais sobre o que sou e sobre o que quero ser. Isso é tão importante para alguém que passa a maior parte do tempo se sentindo perdida e inadequada. Parece que existe um lugar no mundo onde me encaixo. Talvez dois lugares do mundo: O primeiro é nos braços do homem que amo e o segundo é nessa nova profissão que abracei.



Escrito por MSS às 12h18
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Já passou a TPM, já passou o inferno astral, mas, meu ânimo não mudou muito ainda, pelo contrário. Uma série de acontecimentos tem me deixado cada vez mais tensa e ansiosa com tanta intensidade que em alguns momentos parece que meu coração vai explodir.

 

Hoje mesmo é um dia no qual sei que não estou bem. As coisas no trabalho estão meio bagunçadas e, como saio daqui no final do mês, não me sinto motivada a me empenhar como antes. Pelo contrário, parece que já abandonei o barco.

 

Essa sensação está me seguindo em relação a tudo. Parece que estou abandonando todos os barcos. Não estou estudando como deveria, nem cuidando de qualquer aspecto da minha vida com a dedicação que deveria.

 

Acho que estou emocionalmente esgotada. Não sei de onde tirar ânimo para seguir adiante. Vejo tantos prazos perto de vencerem e continuo agindo como se não me incomodasse. Talvez até nem me incomode mesmo.

 

Nunca me senti tão alheia à minha vida como tenho me sentido ultimamente. Também tenho a impressão de que estou me tornando mesquinha porque comecei a dar importância a coisas tão pequenas, tão insignificantes.

 

Estou mais que perdida e sem a menor idéia de como me encontrar de volta. Sabe aquelas horas em que é preciso alguém te dar a mão e guiar? Estou num momento assim. Cansada demais para decidir, indiferente aos resultados, solta, sem amarras, sem pressa, sem vida. Essa boneca de porcelana que eu era quebrou. E agora?



Escrito por MSS às 11h30
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Boletim médico

 

É interessante que desde que recebi o diagnóstico de diabetes em outubro do ano passado minha vida vem passando por fortes transformações. Nada muito drástico ainda, afinal, sou rebelde e exerço sempre o meu direito de tomar o tempo que acho necessário para fazer as coisas. Mas, principalmente a minha alimentação teve de mudar.

 

Por conta disso, obviamente comecei a perder peso. Isso faz parte do processo de recuperação do meu organismo. Não posso me manter acima do peso estando diabética porque seria um fator de risco a mais para agravar a minha doença e desencadear outras.

 

Mas, o que mais chama minha atenção é a quantidade de olhares tortos para mim desde que comecei a emagrecer. É impressionante! Quase todo mundo que convive comigo me olha com ar de espanto, dá uma conferida no novo layout e solta uma frase de efeito do tipo:  “Nossa! Como você emagreceu! Ta fazendo o quê?”. Sempre encaro esse tipo de atitude com desconfiança.

 

Acho que a tradução do pensamento desses reparadores do meu novo shape é: “Fala o nome do remédio que você ta tomando, pelo amor de Deus! É milagroso!!!”. Então, quando respondo que me tornei diabética e que o tratamento exige uma dieta forçada, vejo a empolgação em relação ao formato do meu corpo murchar e ser substituída por uma expressão de surpresa, espanto e até pena. Posso ouvir o pensamento: “Coitada! Tão nova!”.

 

Se antes me incomodava, agora acho graça. Parece que meus dias estão contados, quando, na verdade, seguindo as recomendações médicas, talvez eu viva muito mais do que uma pessoa que não tem diabetes. A mudança de hábitos tem me tornado uma pessoa mais saudável. Baixei o açúcar no meu sangue, bem como os triglicérides e o colesterol ruim, aumentei o colesterol bom, melhorei a qualidade dos alimentos que ingiro, tomo suplementos que auxiliam na regulação das taxas do meu organismo. Só falta comer verduras e legumes e adotar uma atividade física. Aí estarei em sintonia com o plano dos meus médicos.

 

Ontem minha nutricionista me parabenizou pelos progressos que obtive. E, como sempre gosto de frizar, olha que sou uma paciente rebelde que vira e mexe come um docinho escondido. Ela me garantiu que quando entrar nos eixos e me disciplinar, terei uma vida normalíssima. Então, para quem pretende me ver pelas costas, tenho más notícias: Vou viver muuuuuuuuuitoooooooooooos anos!!!! E, para quem deseja o meu bem, que a vida os recompense um milhão de vezes mais.



Escrito por MSS às 11h19
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Casamento??? Não, obrigada!!!

 

Alguns acontecimentos nos fazem rever propósitos e objetivos para as nossas vidas. Eu mesma sempre sonhei em me casar, vestida de branco, com direito a festão e lua de mel em Paris. Tudo lindo e perfeito. Mas, e depois que desembarcar no aeroporto de volta ao Brasil, como fica a vida?

 

Não acho que fica linda e maravilhosa, não se for como imagino. E, no último final de semana, tive provas de que a vida de casada pode ser muuuuuito chata. Fui a um aniversário no qual eu era o único ser solteiro. Até aí, tudo bem, nenhuma novidade. Mas, o aniversário era num lugar longe para dedéu e, como estava de carona, estava presa no fim do mundo.

 

O problema era estar enclausurada com aqueles seres cuja vida é desinteressante demais para mim. Meu Deus, o que fiz para merecer aquilo? Tudo bem, era aniversário da minha amiga a quem amo muito e por quem tenho uma consideração infinita, mas, me sacrificar daquela maneira é algo que evitarei todas as vezes que puder.

 

De um lado ficou uma rodinha masculina. Do outro, a feminina. Patético! Só que parecia incrivelmente natural para todos os presentes aquela divisão sexista. A mulherada só falava de receitas, da massa de pão-de-ló, dos filhos, da deturpação que a criação da filharada sofre devido à má influência da televisão, de gravidez (uma delas está grávida do segundo filho), do peito quando fica empedrado por causa do leite, dos sintomas da gravidez, do preço do material escolar e de uma porção de coisas interessantes.

 

Quase nenhuma delas trabalha, o que provavelmente contribui de forma significativa para essa rotina tão irresistível. A minha vontade era gritar: “Calem-se!!! Que vida mais desinteressante!!!”. Eu só queria fugir, sair correndo dali e me esconder em um lugar no qual o bicho-papão do casamento jamais me alcançasse. Sei que, graças a Deus, nem sempre a vida de casado é só isso. Mas, ouvir aqueles papinhos foi me deixando em pânico, a tal ponto que peguei carona com os primeiros seres que saíram de lá, mesmo sem ter a menor intimidade. Estava convivendo com o top list de tudo o que há de mais desinteressante sob a face da Terra. Ainda por cima, tinha um cachorro amaldiçoado que não parava de passar por mim, colocando aquelas malditas patas na minha perna e me olhando com cara de c.... Que a sociedade protetora dos animais me perdoe, mas, aquele cão teria caído morto se meu olhar de ódio tivesse a força que todo mundo me diz que tem.

 

Eu só queria não estar ali, sufocada, me afogando naquela mesmice contraproducente. Mal saí, já estava contatando pelo celular as amigas solteiras que iriam em meu socorro para me encontrar no pub de sempre, para dançar rock and roll a noite toda, cantando junto cada letra que a banda tocava “ I want to get away, I wanna fly away”... como essas palavras fizeram sentido dentro da minha cabeça, da minha alma, do meu coração.

 

Passado o estresse e o trauma, acho até que posso vir a pensar novamente em casamento, mas, como se trata de um contrato, quero impor algumas regras porque me recuso a ter uma vida tão sem graça. Essa rotina Amélia, essa vidinha fogão/filhos/tanque não me interessa. Não nasci para isso. Acho que não nasci para o casamento, pelo menos não para o modelo convencional. Eu quero viajar, dançar, cantar, ouvir música, namorar, beijar na boca, passear, ver filme agarradinho. Lavar louça??? Só se for com um bofe lindo cheirando meu cangote e secando. É, o modelo de amor que me interessa precisa ser inventado. Pelo menos a noite terminou bem, depois que exorcizei meus demônios no UK. Definitivamente, “I wanna rock and roll all night and party every day”.



Escrito por MSS às 10h36
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Back for real

  

Depois de merecidas férias, voltei ao batente há duas semanas. Quer dizer, voltei a frequentar o trabalho, porque aqui tem quase nada para se fazer. Portanto, gasto a maioria das minhas horas no Facebook, batendo papo no gtalk ou jogando Bubble Shooter.

Ah, também trabalho, muito pouco, é verdade, mas, trabalho.

Maceió foi maravilhoso, tirando alguns tropeços da agência de turismo (a qual não citarei o nome para não levar um processo) que nos levou para passear num ônibus quebrado, transformando um passeio que já era sacal por natureza em algo extremamente desagradável.

Mas, não deixo pequenas coisas estragarem as minhas lembranças. O importante é que o sol estava lá para eu ficar menos branca, a piscina do hotel estava ótima, as praias continuam maravilhosas, a comida ainda é uma tentação que proporciona uma pausa em qualquer dieta e estava muito bem acompanhada por três dos meus maiores amores nessa vida, ou seja, tudo foi perfeito.

O retorno para casa significou muitos dias de chuva, que agora acabaram e deram lugar a um calor literalmente infernal que não estou suportando. Na minha sala é possível estender a canga, deitar e fritar. Pena que isso não combina com minha ética profissional. Minha pele alva agradeceria e minha necessidade de vitamina D diária também.

Nesse cenário de volta à rotina, a prova da Ordem dos Advogados do Brasil me quebrou no domingo. Não passei por 4 questões.... se tiver a sorte de 4 anulações, estou dentro para a segunda fase. Seria um sonho... quem sabe Deus ouve minhas preces?

Fora isso, as aulas começaram nessa segunda. A zona da faculdade por conta da mudança de coordenador vai me enlouquecer. Todo dia a grade horária muda, falta professor porque 11 caíram fora, enfim, o caos se instalou ali e não sei até quando perdurará. Mas, sei que está me estressando muito.

Alguém quer saber sobre a minha monografia? Ela deve estar morrendo de saudades de mim, embora não possa dizer o mesmo em relação a ela, ha ha ha ha. É, quem disse que vida de estudante no último semestre é moleza? Não mesmo. E quem disser que jornalista é um poço de vontade de escrever também mentiu. A frase que mais ouço é que essa monografia será moleza porque sou jornalista. Ah, os mortais e suas crendices! Só para desmistificar: jornalistas não são deuses da escrita e não estão vomitando textos a cada cinco minutos e não vivem inspirados 24 horas por dia. Ah, e também não levam uma vida rica e glamourosa, só para finalizar esse momento “mitos do jornalismo”.

Falando em jornalistas, a melhor novidade do ano, por enquanto, são as reuniões mensais com minhas amigas jornalistas. O time ainda continua meio desfalcado por conta de umas furonas que insistem em marcar outros compromissos na data dos encontros. Mas, os dois que fizemos até agora, apesar do quorum baixo, foram divertidíssimos. Sinto-me fazendo parte literalmente do Clube da Luluzinha. É que a ideia dos encontros partiu da Lu, então, tive essa sacada!

Enfim, uma notícia de última hora: Acabei de ser “contratada” para fazer um boletim jornalístico. O mais legal é que já fui editora dele e que vou prepará-lo simultaneamente enquanto trabalho aqui, por que ele tem de estar pronto até às 10h30. Mas, a correria será somente por um mês. Estou preste a finalizar o estágio, então, poderei me dedicar somente ao meu trabalho como jornalista até encontrar outro emprego, passar num concurso ou dar um golpe do baú, o que acontecer primeiro.

Bem, parece que meu humor hoje está ótimo e ácido como sempre. Amoooo!!! Estou de volta e isso é o que importa. Agora vou cuidar da vida porque ela está esperando por mim. Fui!!!

 



Escrito por MSS às 11h13
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On vacation!!!

 

Em algum momento da minha vida devo ter sido esquizofrênica porque odiava férias. Isso não pode ser normal!!! Mas, estou curada e contando os segundos para me catapultar dessa cadeira rumo às minhas mais que merecidas férias.

 

O melhor de tudo é que vou viajar graças à minha amada mãe que é um anjo e vai me bancar na praia por uns dias. Estagiário não ganha o suficiente para ir para a praia. Aliás, com meu salário, depois de pagar as contas fixas, o que sobra dá para ir ao cinema e numa balada bem basiquinha e olhe lá.

 

Não estou me queixando. Inexplicavelmente encontrei a luz e resolvi não reclamar. Os desígnios divinos devem ter alguma explicação e só Deus sabe qual é. Então, vou tratar de aceitá-los.

 

Mas, fato é que o melhor de tudo, nesse momento, não é ficar afastada do serviço ou simplesmente viajar num esquema 0800. O melhor é fugir dessa chuva exagerada que não para de cair em Brasília. O céu está cinza há dias. Ficar aqui sem cair em depressão é uma missão tão impossível quanto acordar sem preguiça de sair da cama logo cedo.

 

Hoje mesmo tive de me chantagear (coisa de gente anormal fazer autochantagem) para vir ao trabalho. Disse a mim mesma: “Largue de preguiça e vá, senão, vai ter de ir amanhã, já de férias, para terminar tudo o que está te esperando”. E lá vim eu, congelando de frio, morrendo de preguiça, mas, certa de que minha recompensa virá amanhã enquanto estiver fazendo minhas malas, guardando biquínis, vestidinhos, shorts e todos os acessórios que combinam com o verão esquecido por Brasília.

 

É claro que não posso perder de vista que ainda tenho uma monografia para terminar em um mês ou que quando retornar preciso procurar um Plano B para ganhar dinheiro porque meu contrato se encerra em abril e ninguém vai querer uma estagiária por um período inferior a seis meses, uma vez que me formo em julho.

 

 Entretanto, neste exato momento, nada disso importa. O sol e o calor me esperam e estou ansiosa por ambos. Tudo vai dar certo depois, quando eu voltar. Até porque dizem que o mundo vai acabar esse ano, então, vou me preocupar menos com o futuro. Quando ele chegar, começo a cuidar dele.



Escrito por MSS às 11h13
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 O bom das decisões é que elas podem ser mudadas, a qualquer momento, sem prévio aviso ou coisa assim.

 

Sempre espero me tornar uma pessoa melhor, mas, de vez em quando, não é uma idéia tão ruim se tornar pior, porque tem gente que pensa o pior dos outros e não sei você, mas, eu odeio levar fama e não deitar na cama.

 

Um dos caras mais imbecis que conheço foi me avaliar porque minha chefe está de férias. Ela SEMPRE me avalia como excelente em todos os quesitos do maldito e inútil formulário do RH.

 

Então, o retardado mental do chefe dela que a esta substituindo teve a audácia de marcar que sou APENAS muito boa nos quesitos ‘iniciativa e cooperação’ e ‘urbanidade e disciplina’. Eu realmente queria socar a cara do filho da pátria.

 

A partir de hoje ele vai ver o que é iniciativa, cooperação, urbanidade e disciplina. Meus dias de boa menina acabaram. Son of a bitch!!!!!



Escrito por MSS às 12h57
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Quando um ano acaba, a gente até pode ficar com aquela sensação de que falta alguma coisa, uma tarefa não cumprida. Talvez até saibamos qual é a coisa negligenciada, mas, já não importa. Agora só no ano que vem, o que tem vantagens, afinal, quem não gosta de postergar incumbências chatas?

 

Só que algumas decisões e atitudes não podem ser adiadas. Sempre penso na felicidade como uma delas. Acho que temos de correr atrás da felicidade todo santo dia, indiferente de quão difícil seja alcançá-la.

 

 Minha visão sobre 2011, de uma forma geral, é que não foi um ano tão incrível quanto as expectativas que havia depositado nele. Por outro lado, não posso dizer que foi ruim. Creio que foi um ano de descobertas e aprendizados e, ao mesmo tempo, de provar para mim que repetirei algumas cagadas sempre que tiver oportunidade porque estão enraizadas na minha personalidade.

 

Assim sendo, espero gastar menos energia lutando contra minhas características imutáveis. É melhor aceitar imperfeições sem cura e torcer para que o resto da humanidade as tolere, como parte do exercício de paciência diária e altruísmo que cada um deve fazer.

 

O que espero para 2012? O mesmo de sempre: ser feliz. Essa é a minha resposta óbvia, curta, fácil de falar e, por que não, de pôr em prática? Ser feliz é uma tarefa simples. A gente é que complica, criando metas inatingíveis e sofrendo por nunca atingi-las.

 

Conclui que se mantiver minha saúde, concluir meu curso, arrumar um emprego e puder passar um bom tempo ao lado das pessoas que amo, terei um grande ano. É claro que um bofe fofo e apaixonado seria maravilhoso. Um salário com cinco casas decimais seria incrível e a cura da diabetes seria o melhor avanço da ciência, pelo menos para mim. Mas, não vou sofrer de véspera feito um peru.

 

O que vier de bom é lucro. O que não for tão bom, administro, dou um jeito. Viver é isso, dar a volta por cima diariamente. Acho que sou boa nisso. Então, que venha 2012 com seus mistérios, encantos e desventuras para que eu possa desbravá-lo, como quem descasca uma cebola, camada por camada. Se no final eu conseguir sair viva e sorrindo, significa que nem tudo foi tão ruim assim. Feliz ano novo!!!



Escrito por MSS às 09h13
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Balzaquianas que vivem como Lolitas

            As mudanças sociais das últimas décadas não foram boas para algumas mulheres. Cheguei a essa conclusão observando algumas amigas e conhecidas. Muitas mulheres de trinta anos querem ser adolescentes. Pior: muitas delas realmente pensam e agem como adolescentes, mas, não como meninas de 16 anos, e sim como aquelas bobinhas de 13 que ainda estão descobrindo o mundo.

 

            Isso está começando a me preocupar e a doer nos meus nervos. Ontem de manhã, eu tive de dizer a uma mulher de 33 anos na cara para se basear em fatos e não em fantasias relacionadas a um homem que nunca demonstrou qualquer atitude de carinho, amor e respeito para com ela. Ele sempre transou com ela e, no dia seguinte, agiu como se nada tivesse acontecido. Com base nesse fato, de onde a Cinderela tirou a idéia de que esse cidadão seria o príncipe encantado que a levaria ao altar? Só Deus sabe.

 

            Acho que estamos vivendo a “era da infantilização feminina”. Hoje em dia é aceito de forma natural que adultos morem e sejam sustentados pelos pais. Conseqüência disso? Os adultos estão esquecendo de crescer e provam isso com comportamentos inadequados no ambiente de trabalho, no total despreparo para viver relacionamentos amorosos, na rotina que acabam adotando para si.

 

            Tenho que confessar que sou uma vítima parcial dessa Era. Mas, pelo menos estou lutando contra. Por outro lado, vejo pessoas que estão amando viver como se ainda tivessem 15 anos e isso é preocupante. Crescer é uma etapa da vida. A sociedade tem expectativas e cobra atitudes. Um bom exemplo é pensar no mercado de trabalho. Quem contrataria um cidadão de mais de 30 anos com experiência profissional zero, se existe aos montes recém-formados capacitados, pós-graduados e bilíngües?

 

            No âmbito amoroso, que homem se interessaria por uma desinformada alienada com mais de trinta anos e que não quer porra nenhuma com a hora do Brasil, quando há mulheres interessantes de vinte e cinco que lêem pelo menos dois jornais por dia, vão ao teatro, trabalham e são independentes?

 

            Essa geração balzaquiana, em grande parte, não está com nada. Já passou da hora da mulherada entender que beleza não põe mesa, principalmente, porque é perecível. A primeira coisa que uma mulher vai perder com o passar dos anos é a beleza. Isso é cruel? É. Mas, não fui eu que tive essa idéia, é a lei da natureza. É preciso investir em si mesma, crescer psicologicamente, assumir-se: Eu tenho 32 anos sim e daí???

 

            Os homens interessantes sabem que o auge da mulher é depois dos trinta. Mulheres inteligentes deveriam querer homens interessantes e não os babacas que escolhem a presa pelo comprimento da saia (normalmente, a bola da vez é a dona da saia mais curta também).

 

            Não tenho a menor intenção de ser descartável para ninguém e como eu queria que as demais mulheres entendessem e aderissem a essa concepção. O amor está tão banalizado, o sexo é tão fácil, que as pessoas se sentem no direito de usar umas às outras e, ainda, usando como argumento que quando um não quer, dois não brigam.

 

            É, realmente, quando um não quer, dois não fazem muita coisa. Então, por que não se valorizar? Por que não recuperar valores antigos que sempre funcionaram desde os primórdios da humanidade? Por que negar que o tempo passa e enxergar isso como crescimento e evolução em vez de fingir que as rugas não estão querendo nascer e que os cabelos nunca vão ficar brancos?

 

            Vaidade faz bem, desde que na medida certa. Quando extrapola o limite da normalidade, é patológica e deve ser tratada. Tem problemas em se aceitar? Procure um psicólogo, mexa-se. O problema é outro? Descubra e resolva! Sua autoestima se arrasta mais que uma lesma? Olhe-se no espelho e agradeça a Deus por ser perfeita, procure e encontre algo bom em si mesma. Todo mundo tem qualidades, encontre as suas. De repente, você vai descobrir que nenhuma outra mulher no mundo tem o seu charme, o seu jeito de olhar, que cada ser é único e especial por ser único.

 

            Não sou psicóloga, nem antropóloga, mas, sou uma mulher com todos os medos e fragilidades que qualquer outra mortal possui. Por isso mesmo, eu tinha de dizer: mulheres, parem de cavar para baixo!!! Ergam seus ombros, e acreditem no seu potencial. Valorizem as suas experiências e aprendam com elas. Acreditem em duas coisas:

           

            Primeira: Homem não é tudo na vida;

           

            Segunda: Homens de verdade querem mulheres de verdade.

 

            Então, se quer que ele telefone, que ele saia contigo de novo, se apaixone e te respeite, comece se amando, se respeitando, se aceitando. Assim, vai mostrar que tem brilho próprio e vai começar a atrair o homem dos seus sonhos em vez de se contentar com o primeiro que  te olhe.



Escrito por MSS às 10h50
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        A vida está com gosto de nada. Será que mais alguém nesse mundo entende o que estou querendo dizer? Vou tentar me explicar, embora nunca ache que deva satisfação a quem quer que seja.

 

        Meu tesão acabou. Não estou falando só de sexo. Tem outras coisas para as quais é preciso tesão e não tenho sequer um tiquinho. No trabalho sou um robô programado para produzir pareceres jurídicos em série, o que sou capaz de fazer muito bem e muito rápido, mas, sem tesão algum.

 

        A faculdade, que está quase acabando, é algo que se eu tivesse mais animada, abandonaria para recomeçar do zero porque creio que poderia, e deveria, ter feito melhor. Sinto-me um blefe.

 

        Coisas da vida prática como lavar o banheiro, jogar a roupa suja na máquina ou simplesmente tentar juntar tudo o que vou espalhando pelo caminho estão se tornando a origem de uma nova neurose, principalmente porque, se de um lado preciso fazer tudo isso, por outro, não tenho a menor vontade. Vou adiando.

 

        Ir para casa ou permanecer na rua? Escolha difícil. Não tenho vontade nem ânimo para nenhuma das duas coisas. Também está difícil escolher entre dormir ou permanecer acordada, uma vez que nenhuma das opções me apetece.

 

        É o que estou tentando dizer: a vida está perdendo o gosto. E isso não tem nada a ver com estar deprimida. Não estou mesmo. Eu me conheço o suficiente para saber tudo sobre meus estados mentais.

 

        Só perdi a motivação, o ânimo, sei lá. A preguiça está me dominando e tudo está perdendo o sentido. De vez em quando a gente sonha com algo, mas, paga um preço tão caro que vai se cansando dessa dinâmica.

 

        Claro que a vida seria desinteressante se não fosse uma caixinha de surpresas. Mas, de vez em quando, seria bom saber como as coisas vão terminar. Será que um dia vou arrumar meu quarto? Ou devo deixar num codicilo como vontade última que queimem tudo? É tão mais prático e eu ando tão prática.

 

        O que há de errado com a minha praticidade? Talvez somente o fato de ela ser excessivamente emocional. Se ela fosse racional, não seria minha.

        Pois é, essa sou eu depois de um desaparecimento de semanas. Parece que pirei de vez, não é? Experimente cinco minutos na minha pele e você vai ver que sou a pessoa mais sana da face da Terra. Inclusive, penso eu, que um dia esse excesso de sanidade vai me fazer pirar, mas, ainda não aconteceu.

 

        Não rasgo nem nota de dez reais, não arranco a roupa em praça pública, não falo sozinha enquanto perambulo pelas ruas e respeito as leis. Ou seja, tudo está sob controle, menos minha alma inquieta. Esta quer sair por aí flutuando, gritando, vomitando sua indignação. Estou puta da vida e indignada com esse mundo lixo no qual estamos vivendo.

 

        Ainda luto para nadar contra a corrente e não me deixar contaminar por tudo o que há de mais execrável no ser humano. Tem horas que acho que vou me deixar levar, porém, resisto e espero continuar resistindo. Provavelmente, ninguém entendeu coisa alguma do que eu tentei dizer aqui. Não faz mal. O importante é que eu disse.

 

 



Escrito por MSS às 11h02
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            Alguém mais já reparou que o fim de ano está chegando cada vez mais rápido? Em setembro eu vi Papai Noel pendurado na fachada de uma loja. Meu sobrinho de dois anos ficou encantado, gritando: “É o Natal!”.

 

            Pior que estando agora em meados de novembro, parece que realmente já é o Natal. Ainda lembro da minha agonia no final de 2010 em busca de um vestido rosa para atrair o amor para 2011 que voou, passou tão rápido, e o tal do amor não chegou.

 

            Detalhe: no máximo em três semanas vou começar uma nova caça a um novo vestido de alguma cor a definir para atrair algo também a definir.

 

            Isso sem falar em todas as promessas de ano novo. Eu não cumpri nem metade. Cumpri, em parte, a de não prometer coisas que não poderei cumprir. A tal dieta saiu do planejamento à prática, mas, isso se deu por força das circunstâncias, uma vez que me tornei diabética e não tive muitas opções.

 

            Se eu fizesse uma retrospectiva 2011 de forma criteriosa, perceberia que fiz muita coisa. Então, não entendo essa sensação de vazio, de que falta alguma coisa, de que o ano passou rápido demais, me impedindo de fazer tudo o que queria, tudo o que planejei.

 

            No entanto, ainda falta um mês e meio para o ano acabar. É tempo para caramba! Existe uma infinidade de atividades que ainda poderia me comprometer a desenvolver e realmente cumprir.

 

            Só que tem o cansaço, o sono, a preguiça, a chuva e todas as desculpas esdrúxulas que a gente arruma pra postergar a vida. Nessas horas, me odeio. E olha que hoje está um dia ensolarado, daqueles que animam e reacendem a vontade de viver e ser feliz. Enquanto isso, na minha sala do trabalho, não paro de pensar em chegar em casa e me jogar na minha cama.

 

            Oh, Deus! Será que tem conserto para mim?



Escrito por MSS às 11h53
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Minhas mil faces

Estava aqui pensando em quantas mulheres diferentes eu já fui nesta encarnação. Meiga, arisca, intelectual, falsa-burra, comunista, metida a burguesa, caridosa, mão-de-vaca, vaidosa, largadona, magra, gorda, antipática, popular, persona non grata e por aí vai, a listinha é mesmo grande.

Não sei de onde surge cada uma delas nem consigo precisar por quanto tempo me habitaram. Algumas morreram para sempre, outras ainda co-habitam a minha alma. Até porque todas elas têm algo em comum: o mesmo corpo e muitas amaram o mesmo homem.

Tive alguns amores. Hoje sei que nem todo homem que entrou na minha vida foi um amor. Acho que amor mesmo eu tive dois. Um deles ainda mexe com meu coração de alguma maneira. O outro é aquele que a gente se pergunta para sempre: "o que foi que eu vi nele?".

Na verdade, penso que a pergunta certa é: "o que foi que eu não vi em mim?". Quando a gente faz a escolha errada, que é obviamente errada, o problema certamente está na gente e não no outro. Vira e mexe me envolvo com a pessoa errada. Sabe aquele cidadão que tem um letreiro luminoso vermelho de neon piscando na testa "PESSOA ERRADA!!"? Pois é, tenho o vício de cair de amores por esses caras.

Talvez seja meu lado burro ou meu lado excessivamente crédulo que me leve a isso. Talvez seja a minha vaidade de me achar tão boa que posso mudar o mundo. Talvez seja meu lado com autoestima zero que acredita que o que vier é lucro.

Existem essas mulheres também dentro de mim. A miss autoestima zero ataca constantemente. Não que ela se contente com pouco. Mas, é que para ela, despertar a atenção de um homem que aparenta ter alguma intenção séria é quase como ganhar na loteria porque ela pensa que os finais felizes estão predestinados às outras pessoas, e que nunca chegará a sua vez. Estúpida!!!

Eu realmente queria sumir com a miss autoestima zero, mas, ela é uma praga que não tem fim. Às vezes, some por um tempão, tanto que até esqueço que ela existe. Então, a bicha me pega de surpresa com um ataque voraz, sempre aliada a um par de calças com vocação para cafajeste.

Só que nesse momento da minha vidinha, tão turbulento por conta de monografia, compromissos profissionais, problemas de saúde e outros tantos, a Dona autoestima zero está sumida. Estou tentando esquecer mais um cafa que partiu meu coração (pelo menos, parti a cara dele, hahahaha, piada infame). Acho que estou indo muito bem na superação dessa crise. Não é que deixei de gostar dele, é só que comecei a gostar mais de mim.

Então, acho que o melhor a fazer é ficar atenta a todas essas doidas que vivem em mim para não permitir recaídas, para tentar fazer com que elas se tornem minhas aliadas e não inimigas. Já que teremos de conviver até o fim dos tempos porque sou um ser de muitas caras, temos de conviver em paz.



Escrito por MSS às 11h18
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Muitas mulheres gastam seus pedidos para Deus, anjos, santos, duendes, bruxas, fadas e outros seres sobrenaturais querendo um homem, de preferência um príncipe, mas, se não der certo, pode ser um sapo mesmo.

 

Até a semana passada eu era mais uma delas, mais uma tola querendo um homem como se isso fosse a solução para todos os problemas que invento para mim. É isso mesmo! A verdade é que investimos o tempo que resta, quando não estamos rezando por um homem, criando problemas.

 

Nós constantemente reclamamos dos nossos empregos, dos chefes, dos colegas de trabalho incompetentes, dos corpos, da balança, dos cabelos, da pele, da ginástica, do trânsito, de tudo! Estamos sempre atrás de algo para nos deprimir, de algo para nos preocupar.

 

Talvez não exista um ser mais neurótico e autodestrutivo sob a face da Terra do que uma mulher. O ser humano, de uma forma geral, está sempre insatisfeito com alguma coisa. Entretanto, inexplicavelmente, a mulher tende ao exagero extremo. Uma celulite idiota se torna obsessão; um pé na bunda é motivo para cortar os pulsos...

 

Pelo amor de Deus, temos que parar com isso!!! A felicidade não está no amor de conto de fadas, nem na bunda perfeita ou no emprego que paga cem mil reais por semana em troca de três horas diárias da sua atividade preferida.

 

Se não houvesse momentos ruins, não saberíamos apreciar os bons. Um pouco de contrariedade é importante para aprender o valor de cada coisa. A vida é tão maravilhosa pelas surpresas que nos dá a cada dia. Nem todas são boas, mas, todas podem nos transformar em pessoas melhores.

 

Na semana passada, descobri que estou diabética. Não é o fim do mundo, pelo menos não até a descoberta de todas as consequências que a doença pode trazer. Acabei de ler a respeito e confesso que chorei com medo de ter os membros inferiores amputados, de morrer jovem porque a expectativa de vida é reduzida em média entre 5 e 7 anos para o diabetes tipo 2.

 

De repente, fiquei com medo de ter um AVC ou uma cegueira irreversível. Pior: A vida inteira eu quis ser mãe. Uma amiga costuma dizer que vou ser uma ótima mãe. Só que descobri que corro o risco de morrer no parto e não poder sequer ser uma boa mãe. Ler tudo isso e saber que só vou encontrar meu médico na semana que vem para checar as minhas chances de desenvolver cada uma dessas coisas me deixa ansiosa e em pânico.

 

Eu sou mulher, né? Exagerada como todas as outras e já estou aqui criando problemas. Só que o fato é que dessa vez não estou simplesmente criando problemas. Estou correndo atrás de informações para evitar problemas que nem sei se poderei evitar. Então, diante disso tudo, parei de pedir a Deus que me mande um príncipe, parei de reclamar do meu emprego idiota e do meu salário horroroso e de implicar com meu cabelo que fica uma bosta nesse tempo chuvoso.

 

Hoje, comecei a rezar por motivos mais nobres. Espero que Deus me dê saúde, que me dê serenidade para entender e aceitar que vou tomar esse comprimido gigante por muito tempo, talvez até pelo resto da vida. Hoje quero agradecer pelo meu emprego que ainda não é o dos meus sonhos, mas é um degrau para eu chegar lá.

 

Mais que tudo, rezo para que Deus seja generoso o suficiente para permitir que eu tenha filhos, que possa vê-los crescer e ensinar a eles os valores nos quais acredito, explicar que as pessoas não são melhores ou piores por conta da classe social, cor, religião, preferência sexual ou quaisquer outras diferenças. Poder ensinar que eles devem ser felizes e gratos por tudo e que é possível conviver pacificamente se houver tolerância.

 

Tem tanta coisa que ainda quero aprender e ensinar. Sou tão apaixonada pela vida que estou cansada de ver todo mundo ao meu redor reclamando de coisas bobas como o fato de não dirigir um carro de cem mil reais ou não ter o corpo da última capa da Playboy ou não pegar ninguém.

 

Se em vez de reclamar, as pessoas fossem à luta, tudo seria mais fácil. Acredito que não existe o impossível para quem realmente quer. Viver sem sonhos é se enterrar vivo. E ter sonhos sem apostar neles é estar morto.

 

Não quero dar uma lição, nem ser exemplo, nada assim. Esse tipo de coisa não faz meu gênero. Só queria desabafar e dizer que a gente deveria investir nosso tempo na felicidade porque a vida passa muito rápido para ser pequena. Tudo tem a dimensão de acordo com a perspectiva de quem está olhando. Vamos minimizar as coisas ruins, solucioná-las e celebrar o bom da vida. Acho que, no fundo, era só isso que queria dizer.



Escrito por MSS às 12h11
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