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Tudo ao meu redor


Sonhos

Pode ser que eu escolha te amar pelo resto da minha vida, mesmo depois que a gente ficar velho, feio e sem graça. A gente ainda vai rir de alguma coisa boba ou realmente engraçada porque quando estamos juntos, o meu humor sempre fica bom e o seu também. Isso é melhor que papel, anel e festa. Mas podemos ser caretas e fazer uma cerimônia numa igreja, quem sabe com direito a uma festa bem rock'n'roll, com direito a show de banda, de repente num pub com fumaça de gelo seco e aquelas luzes irritantes.

Em se tratando de nós, nada é impossível. Em vez de valsa, vamos dançar uma baladinha hard rock, como a que tocou quando dançamos juntos pela primeira vez. Seria irado!

Não, isso aqui não é uma declaração de amor, nem exposição da vida privada. São sonhos plausíveis com gente plausível.

À primeira vista a gente seria a princesa e o sapo. De perto, sintonia perfeita, conexão, telepatia...

Sonhar acordada é melhor que dormindo, sonhar ao teu lado é realizar.

E se findar um dia, ainda assim foi eterno enquanto durou. E até lá, posso sonhar com bolo de noiva com recheio de baba de moça, brigadeiro e coco, porque é o bolo dos meus sonhos, do casamento dos meus sonhos com o homem que me faz feliz de verdade.



Escrito por MSS às 03h35
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E tudo jaz

Sabe aquela esperança de dias melhores e felicidade plena e eterna? Quando ela some por algum acontecimento parece que o mundo vai acabar ao final de uma contagem regressiva de dez segundos. E se você contar, vai perceber que depois de dizer "um", as coisas estarão todas nos mesmos lugares. O sol estará brilhando, se for dia; as estrelas estarão reluzentes, se for noite; e não importa quão triste ou desesperado você esteja, o mundo não parou de girar para esperar o seu coração ficar inteiro novamente ou a calma nutrir seu coração mais uma vez.

Então, mesmo que tudo acabe e todos morram, sempre haverá alguém continuando o ciclo, fazendo as coisas acontecerem enquanto o seu mundo está de cabeça para baixo. E quando você voltar, tudo estará em ordem. Assim sendo, pire, chore, sofra, morra um pouco a cada dia, afinal, todos morremos um pouco a cada dia. Mas, lembre-se de parar de cavar pra baixo em algum momento enquanto estiver no buraco, senão, você só irá pro fundo, cada vez mais profundo.

Mesmo na tristeza, fingir um sorriso no rosto pode fazer tudo melhorar. De repente, você até acredita que já está bem novamente e começa a sorrir de verdade. 

A vida é um sopro breve e investir energia no sofrimento pode ser um jeito de passar por ela, mas não é o melhor. 

Cada coisa nesse mundo tem o valor que lhe é atribuído, por isso, é importante fazer escolhas inteligentes na hora de valorar tudo, um amor, uma meta, um emprego, uma amizade, uma escolha, uma conquista... o que de bom cada uma dessas coisas te faz sentir e o quanto de sofrimento traz? Pese e decida-se! Lembre-se que tudo, em algum momento, morre.

O que realmente importa nessa vida é aquilo que te faz sorrir!



Escrito por MSS às 02h03
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Fim dos tempos?

 

Razões para não acreditar mais na humanidade:

1. Ainda existe racismo e escravidão no Século XXI;

2. O culto à aparência e ao consumismo só cresce;

3. As pessoas te julgam pelo programa de tevê que você assiste;

4. As pessoas te julgam pelo candidato que você votou nas eleições para presidente da república;

5. Todo mundo acha que tem que dar opinião (mesmo que seja indelicada);

6. Gentileza ficou no pretérito perfeito;

7. Os seus amigos realmente se importam com o que os amigos deles vão achar de você;

8. Respeito também ficou no pretérito perfeito;

9. Tem sempre alguém disposto a tudo pra se dar bem;

10. Um monte de gente acha piegas falar de Deus;

11. Ser autêntico é motivo de vergonha;

12. ... ( vai faltar espaço pra citar todas. Vou parar por aqui).



Escrito por MSS às 08h03
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Para 2015

 

Estava pensando sobre coisas que todo mundo sabe como a vida é feita de momentos e temos que aproveitar o agora porque não sabemos o dia de amanhã; ao escolher uma coisa renunciamos a outra; e como repetimos o mesmo erro sistematicamente até aprendermos uma lição (que no meu caso nunca aprendo).

Traçar metas para 2015 seria mais uma repetição sistemática, afinal, quem cumpre essas metas? Eu não conheço uma criatura que o faça. Eu mesma sou apaixonada por alguns dos meus erros e não ligo para o que os outros pensam acerca de mim, das minhas ideias, do meu modus operandi, life style etc.

Entretanto, percebi que ao meu redor existe uma carga de negatividade gigantesca. Não sei se é inveja, falsidade ou o quê. Então, resolvi traçar algumas metas para 2015, só para contrariar, e por incrível que pareça, pretendo segui-las:

1. você que me dá patada, é grosso comigo, não tem paciência para mim, FODA-SE! Afaste-se! Eu não preciso de você!

2. você que está sempre do lado negro da força, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

3. você que sabota a minha dieta me levando para comer calorias vazias, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

4. você que nunca aceita sair comigo, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

5. você que quer roubar meu namorado, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

6. você que se aproxima de mim apenas por interesse, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

7. você que fica contaminando a minha aura com a sua sombra, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

8. você que é como um vampiro tentando sugar o melhor de mim, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

9. você que nunca atende meus telefonemas nem responde as minhas mensagens urgentes, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

10. você que vestiu a carapuça para qualquer desses itens, FODA-SE!.... (idem ao item anterior)

Eu sou feliz e estou disposta a ajudar quem quer ser ajudado. Quem quiser continuar nadando na merda em 2015, não conte comigo!

Ano novo, vida nova! Feliz 2015!



Escrito por MSS às 15h47
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Sobre este ano

2014 ainda não acabou, mas foi um ano em que a dona morte trabalhou horrores! Só na minha família foram duas. Há pouco faleceu a avó de uma amiga. Tristeza... não quero ser injusta com Deus, mas rezei, entre tantos outros motivos, pela cura de várias pessoas que se foram. Os desígnios divinos realmente não consideram a nossa vontade. Somos poeira neste imenso universo e não nos damos conta disso.

O homem é tão capaz, tão inteligente, desenvolve tanta tecnologia, mas jamais poderá ir de encontro à vontade divina. Isso é um fato e espernear não o mudará.

Seguindo o conselho de uma amiga, tentei fazer uma lista de bons acontecimentos deste ano, que ainda está incompleta. Mas, é incrível como as perdas se sobressaem a qualquer coisa. Preciso aprender a focar no lado positivo da vida. Ele existe! E mesmo quando o mundo está cinzento e sombrio, ainda assim é necessário enxergar que há luz, senão, tudo perde o sentido.

Eu me vi perdida várias vezes nos últimos meses. Creio que se não tivesse tanta fé em dias melhores, teria desmoronado e me entregue. Parece tão mais fácil do que lutar. Mas afundar é tão difícil quanto levantar novamente. Tenho vasta experiência no assunto.

Esta noite eu provavelmente não dormirei. O sono fugiu com a chegada de mais uma triste notícia. Eu já não estava a mais sonolenta das criaturas... estou em treinamento para me tornar vampira... mas de qualquer modo, desejo paz e luz a todos.

Domingo, na missa,  o padre fez um lindo sermão. E ele disse algo que me marcou profundamente. Queremos amar a Deus, mas sem amar ao próximo. Só que ao não amar o próximo, não se pode amar a Deus. E ele está certo. Seria incoerente demais. Então, vamos aproveitar que essa época do ano nos torna pessoas melhores e amar a todos. Melhor que isso, só se deixarmos as energias desta fase se perpetuarem em nossas vidas. Todo dia é dia de amar a Deus, a si mesmo e a todos ao nosso redor. 



Escrito por MSS às 02h17
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Mediocridade

Antes eu achava que o amor era uma bênção. Agora penso que também é maldição. Falo de todos os tipos de amor, incluindo entre amigos, pais e filhos, irmãos, amantes etc.

Como disse o poeta, “a mão que afaga é a mesma que apedreja” e existem mil maneiras de apedrejar. Seja por amor demais, por amor de menos, por proteção demasiada ou por sua escassez, de um jeito ou de outro, o amor acaba sendo prisão, corrente, âncora, na maioria das vezes.

No entanto, ele deveria ser pista de decolagem para voos incríveis que nos fazem retornar de alma leve. Teoria e prática raramente se harmonizam neste caso. Normalmente, existe uma alma sufocada tentando gritar por socorro, sem saber quem poderá ouvi-la e entendê-la.

A vida por si só já é prisão. Um espírito acorrentado a um corpo cheio de obrigações a cumprir, cheio de horários e regras de conduta. E dá-se à luz por amor. Irônico trazer alguém que se ama a esse mundo para ter de retalhar-lhe a alma, coibindo seus desejos e instintos, proibindo a livre expressão do que se é, do que se quer.

E assim serão todos os milhares de dias que se seguirão até o último suspiro: viver a mercê de uma sociedade pobre de espírito, repleta de pessoas burras e limitadas, incapazes de perceber que são adestradas desde o berço para servir uns aos outros com base em regras e modelos que nunca são contestados.

Quem disse que alguém deve ser condenado à morte em vida, perpetuando-se numa rotina que não lhe traz prazer nem felicidade para dar satisfação e contentamento a outrem? Vida medíocre!

 



Escrito por MSS às 20h31
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Adeus jornalismo

Fazendo um freela como jornalista nestas eleições, eu me lembrei do porque pretendo deixar a profissão. Estou cansada de viver rodeada por pessoas burras, preguiçosas e inconvenientes que se acham o centro do universo e o suprassumo da intelectualidade. Desculpem-me, mas vocês não são.

Tenho aversão a quase todos os editores com quem trabalhei e essa de agora é a cereja do bolo. É muito fácil sentar numa cadeira e ficar a manhã inteira dando ordens enquanto os soldadinhos rasos ralam para deixar tudo pronto.

E a cobrança? Pura encheção de saco, normalmente para expressar a hierarquia. Eu poderia jurar que quando todos nós morrermos, iremos para um buraco debaixo da terra para servir de comida aos vermes. A grande diferença é quem você foi  em vida e o legado que deixa.

Deus não está muito interessado no seu cargo ou renda ou status na hora de definir se você vai pro céu ou pro inferno. Acho que, na verdade, isso é uma escolha de cada um, com base no próprio caráter e nas atitudes.

Não sou santa. Lamento se for pro inferno um dia pela certeza de que reencontrarei um monte de conhecidos desagradáveis para desfrutar da eternidade. Mas pelo menos me esforço em ser boa, em não passar por cima de ninguém, me esforço muito para não perder a paciência e ser grossa, tento ser gentil, educada, colaborativa e generosa. É claro que estou longe de atingir o nirvana. Ainda assim, não vejo motivo para cavar para baixo.

Vivo com a meta diária de melhorar tudo o que consigo em mim. A perfeição eu creio que só existe em Deus. Então, senhores jornalistas e editores que não sabem se comunicar, não sabem se expressar, não sabem pautar, não sabem liderar, não sabem o significado da palavra cortesia, eu realmente espero me livrar de todos vocês ao partir para outra carreira profissional. Não foi um prazer nem divertido enquanto durou, na maioria das vezes, e vocês não são deuses. São meros mortais que alimentarão os vermes um dia.

Portanto, parem de empinar esses narizes e percebam que o mundo não gira ao redor dos seus umbigos. Há vida lá fora, do outro lado das paredes das suas medíocres redações onde gente de verdade é feliz. Alguns dias com vocês e já estou intoxicada por essas auras podres. Preciso respirar ar puro, bem longe, do lado divertido da vida.



Escrito por MSS às 21h41
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                                                                                                                                     Encontros e desencontros


Vida, arte do encontro ou da despedida? Dos dois! Um dia encontro, no outro partida. Dizem que a gente leva um pouco do outro e que deixa um pouco da gente também.

               Eu acredito nisso. Preciso acreditar, principalmente, num ano com tantos “olás” e “adeus”. Não estou falando dos gênios da televisão, da literatura e do cinema, nem do político que virou santo depois de morrer. Estou falando de mim, das minhas perdas, dos meus encontros.

               Acho que mesmo quando fugimos da vida, ela nos acha. O mesmo digo da morte. São duas certezas inevitáveis: viver e morrer. O que se faz no intervalo entre as duas coisas já são outros quinhentos.

               Então, acreditando que precisava de uma pausa, eu me dei uma pausa. Só que o mundo continuou rodando, sem se importar se necessito ou não de um tempo. E o destino se encaminhou, sem me perguntar se já estava pronta.

               Só que não estava. Ainda assim, ele veio e se cumpriu, e levou embora pessoas adoráveis. Pense num anjo na Terra... lugar de anjo é no céu. E lá se foram alguns anjos... e lá se foram outros menos angelicais, mas também se foram.

               Há ainda os vivos, os sobreviventes que passam pela nossa história, dão o seu recado e desaparecem. Isso tudo é vida, destino, encontro, separação. E vem para todos.

               Mas eu fico, permaneço, mesmo mudada, porque tudo muda a gente. E eu vou mudando, aprendendo a dançar conforme a música, errando uns passos, fingindo outros, criando uns novos, seguindo firme na dança da vida enquanto ela permitir que eu fique.

 



Escrito por MSS às 03h44
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O início, o fim e o meio

Às vezes, acho que invisto tempo demais pensando na vida, pensando, pensando, o tempo todo pensando em alguma coisa. Dizem que é porque sou muito ansiosa e sei que sou mesmo. Prefiro beber a vida em grandes goles do que em bicadas, queria saber o final da história, embora saiba que não quero estar lá tão cedo porque nesse dia será o meu fim.

O início eu estraguei com erros primários, bobos, infantis. Faltava experiência, maturidade e tentei acertar errando. É complicado explicar isso. Fiz dezenas, centenas, milhares de cagadas óbvias para o resto do planeta todo, mas que, na minha cabeça, jurava que estava fazendo melhor, jurava que estava acertando.

Assim foram as minhas primeiras escolhas sobre educação, saúde, profissão e amor. Talvez devesse ter ouvido meu pai e feito escola normal. Não teria conhecido algumas pessoas, teria mudado boa parte do meu destino. Como seria? Não faço ideia. Talvez devesse ter feito primeiro a faculdade de Direito. Quem sabe teria conhecido alguém e me casado antes de receber o meu diploma? E se tivesse feito de outro jeito, seria mais feliz? Como saber?

Minhas escolhas me trouxeram até aqui. De vez em quando penso que não é o melhor lugar e momento para se estar, mas ninguém me garante que outros caminhos teriam me levado a uma vida mais plena. Até porque eu sou do tipo de pessoa que procura estar plena em tudo. Então, mesmo quando estou chafurdando na merda, estou plena. Imagina quando estou no paraíso... ah, mas o paraíso e as nuvens são lugares que tenho visitado pouco ultimamente.

Não sei como, mas meus pés se fincaram no chão nos últimos meses. Eu ando tão outra pessoa e ainda sinto que sou eu mesma. Coisa difícil de explicar. Eu cresci de repente. Parece que comecei a entender o mundo do dia para a noite, sem querer brigar, discutir, lutar... deixei de ser o que uma amiga chama de “revoltada”. Não que tenha me tornado uma pessoa menos questionadora ou indignada. Só não tenho mais vontade de gritar pro mundo e de fazer a parte dos outros. Mal e porcamente tenho feito a minha parte. Eu quero fazer mais, quero ir além.

Quando eu tinha vinte e poucos anos, achava que iria mudar o mundo. Perdi. Não consegui nem me mudar sozinha. O mundo foi que me mudou. Também achava que quando estivesse na minha idade atual, já seria uma senhora respeitável, rica, bem profissionalmente, casada com um homem maravilhoso que me daria beijo de língua em todas as ocasiões como se fôssemos namoradinhos adolescentes e teria um casal de lindos filhos muito bem educados que eu buscaria na escola vestida num tailer super bem cortado e chique. Essa fase seria o meio.

Ah, mas a vida vem e puxa o tapete. Moro com meus pais, não sou rica, minha conta tá quase sendo fechada, nada de marido, filhos e comercial de margarina. Hoje sei que os maridos quase não beijam. Sei também que criar filhos é caro e exige uma dedicação e paciência enormes. Sei também que um tailer já não faz tanto a minha cabeça. A vida é mesmo uma piada sem graça.

Outra grande descoberta é que não estou no meio. Quando muito estou no final do começo e tudo bem que as besteiras e escolhas que fiz não me levaram a uma vida de mocinha de comédia romântica de Hollywood. Mas, sendo sincera, duvido que uma criatura inconstante como eu aguentaria tanta perfeição por muito tempo. Finalmente uma frase que me deixa parecida com a pessoa que conheço como eu.

Só que eu mudei. E agora que sei que ainda não estou no meio, quero fazer escolhas mais inteligentes, quero ser a minha melhor amiga porque jogar esse peso nas costas dos outros não é muito justo. Devo ser a única pessoa do mundo que pede para a amiga que mora em outro estado rezar para eu passar numa prova ou para eu ficar tranquila porque me sinto mais forte sabendo que ela está lá rezando. Eu sei que ela realmente está.

O mais incrível é que tem muito dessa minha amiga neste texto porque embora ela não tenha certeza, sempre dou ouvidos a tudo o que ela me diz, mesmo quando vai de encontro às minhas crenças e desejos. Acho que estou mais próxima do equilíbrio que ela tanto me aconselhou a buscar. Claro que não posso dizer que isso é definitivo.

Na verdade, nada na minha vida é definitivo. Tudo é dinâmico, mas não sei andar pra trás, então, o plano é realmente melhorar. Daqui a dez anos quero reler esse texto e rir de mim. Será que já serei uma mulher casada, mãe de dois filhos gêmeos? Ninguém sabe, mas serei plena e feliz. Acho que isso é ser bem sucedida no final das contas. 



Escrito por MSS às 23h59
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Limpando memórias


De vez em quando, gostaria de retornar ao útero da minha mãe para estar a salvo de todos os males do mundo ou simplesmente para ter a chance de recomeçar tudo do zero, sem passado nem erros que adoraria não ter cometido. A impotência de realizar esse desejo acaba se tornando menos impactante quando posso, como consolo, deitar no colo materno pra ganhar um carinho ou para choramingar as tristezas da vida.

Ter pai e mãe ainda é a melhor coisa do mundo. Quem quiser me chamar de mimada, infantil e afins sinta-se à vontade. Talvez eu seja mesmo e estou velha demais para perder tempo negando ser isso ou aquilo, defendendo opiniões, tentando provar coisas para pessoas que não ligam para a minha opinião. Até porque é recíproco.

Hoje resolvi fazer um faxina virtual. Sempre temos que começar por algum lugar. Eu tinha quase mil e-mails não lidos. No momento restam 457. Alguns deletei sem ler. Ele estavam lá há tanto tempo esperando pra ser lidos, mas se não o foram até agora, não haveria por quê fazê-lo na hora da limpeza. Outros li e mantive alguns. Chorei sozinha pelo passado que não posso consertar. Arrependimento deveria matar porque conviver eternamente com ele é realmente uma bosta. Não aprendi a administrar a frustração da pele pra dentro. Do corpo pra fora é moleza. Estampo um sorriso na cara, faço sarcasmo da situação e minha máscara social me livra do julgamento alheio, sempre condenando aqueles que não evoluíram o suficiente para lidar com perdas.

Não sei lidar com elas. Choro há sete anos por um luto que parece que nunca terá um fim. Não sofro o tempo todo, mas sofro um pouco todo santo dia. Terapia não fecha buracos da alma. Quando muito ajuda a costurar a ferida aberta, na esperança de que cicatrize um dia. Tenho uma coleção de feridas abertas que estou tentando fechar. Tirei o ano de 2014 para fazer isso, só que tenho uma dificuldade imensa. Não sei quão bem sucedida serei ao final da empreitada, mas estou certa de que preciso retirar a maior parte desse peso das minhas costas.

E, claro, é inevitável querer retroceder no tempo, voltar pro colo da mãe e aprender a caminhar de novo. Quem sabe assim daria passos mais acertados na vida? Ninguém sabe. Então, me resta focar no otimismo, acreditar que devo ter feito coisas boas durante a jornada. Não é possível que só tenha errado. É, sei que fiz coisas boas também.

Ah, essa maldita nostalgia nocauteou minha alma por hoje... o dia está amanhecendo e ainda nem dormi. 

O tempo é tão aliado, tão inimigo...

Ah, o tempo...



Escrito por MSS às 05h00
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Sonhos

Mais uma vez fechei os olhos e acabei sonhando contigo, que ausente se faz mais presente que nunca. Também sonho com gente morta, com situações inusitadas. Tenho pesadelos com bichos, alguns são recorrentes e acordo sã e salva na minha desordem física, espacial, psicológica. E ainda assim, você continua no meio de tudo.

Já amei outros amores, já apostei em outras vidas. Vivi umas cinco encarnações diferentes nos últimos sete anos. Em todas elas a sua ausência foi a característica mais marcante.

De vez em quando te encontro em sonhos. Alguns claros, outros confusos. Vez ou outra nem vejo seu rosto, só sei que é você, ainda é você, parece que sempre será.

Mas para sempre é demorado demais e justo eu, que tenho pressa, ansiosa por natureza, preciso aprender a esperar, preciso aprender a me contentar. A vida toda odiei este verbo, por isso, sempre fui à luta. Nunca desisti de nada, só mudei de estratégia.

Ainda não desenvolvi uma estratégia pra te arrancar de mim. Se às vezes te odeio, sou eu te amando pelo avesso, ainda é amor, como sempre foi, como sempre será.

Vou dormir e sonhar, quem sabe contigo? 



Escrito por MSS às 02h05
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Ah, Brasil!

 

Passeatas, black bloc, violência, rolezinho, Copa do Mundo do Brasil, falta hospital, falta polícia, falta político honesto, falta vergonha na cara, tem operação tartaruga, tem eleição, não tem remédio... aí os brasileiros querem remediar: Joaquim Barbosa para presidente do Brasil.

Peraí!!! Não vamos confundir alhos com bugalhos. Cada um no seu quadrado! O cara é bom, mas é jurista e é assim que deve ser. O papel de juiz lhe cai muito bem. Ele é ministro do STF, ou seja, até se aposentar poderá colaborar para, pelo menos, amenizar a corrupção deste país.

Então, que tal a “jornalistazinha” que defendeu a autotutela para punir o “marginalzinho”? Péssima escolha também. Quase rasguei meu diploma diante de tamanha imbecilidade e falta de ética profissional.  Senti vergonha de ser companheira de profissão.

Há ainda opções singelas. Várias pseudocelebridades filiaram-se a partidos políticos e podem concorrer. Dr. Rey, por uma recauchutagem geral gratuita, já tem meu voto. Para os ex-BBBs, pediria em troca uma passagem de ida para a próxima edição do programa, com garantia de vitória (Um milhão e meio de reais), u-hu!

É, tá muito difícil levar a sério esse Brasil. Sinto que vou parar de assistir jornais e ler notícias porque de duas, uma: ou terei um colapso nervoso diante de tanta desgraça ou tornar-me-ei insensível diante da barbárie como tantos ao meu redor. Ambas as opções me desagradam.



Escrito por MSS às 09h36
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Reflexões de final de ano

Não importa quantas vezes eu troque de computador, são todos umas merdas! Claro que esse não era o começo do meu texto de fim de ano. Claro que esse incompetente apagou sei lá como o começo fofo do texto anterior, além de mudar meu estado de espírito de fofa para P. da vida. Enfim, estava falando de como 2013 passou rápido. Parece que à medida em que vamos ficando mais velhos, o tempo começa a acelerar. Quero deixar bem claro ao controlador do tempo que não tenho pressa em envelhecer, criar rugas e cabelos brancos, menos ainda em morrer. Dizem que quem nasce sob o signo de peixes está encarnando pela última vez, portanto, vamos desacelerar, ok? Quando eu era criança e ficava doida para o Natal chegar logo para ganhar um presente, o ano demorava séculos. Voltar para esse ritmo pode ser muito bom.

Acho que esse ano foi melhor que 2012. Senti falta de pouquíssimas coisas do ano passado. Já 2013 trouxe experiências no mínimo inovadoras. É inacreditável que eu nunca tenha beijado alguém com piercing na lingua antes. Achei estranho, diferente, mas ainda não decidi se é bom ou ruim, afinal, tenho ascendente em gêmeos, fazer o quê? Esse ano realizei sonhos de uma vida toda. Eu vi o Aerosmith tocar ao vivo!!! Só Deus sabe o tamanho da minha felicidade porque foi um desses momentos nos quais a gente sabe que se morresse ali, morreria feliz. Também assisti ao show do Bon Jovi, esse em São Paulo, durante uma viagem ma-ra-vi-lho-sa! Sabe quando você só passa no hotel pra tomar banho e pra dormir umas duas horas entre seis e oito da manhã? Essa era eu acompanhada de duas amigas queridas, vivendo a vida como se não houvesse amanhã. Confesso que no show, último evento da viagem, a gente estava só o bagaço. Bom demais!

Também foi um ano legal sob o aspecto profissional porque tive novas experiências e fiz novos amigos. Mais uma vez comprovei que o meu destino não é trabalhar por dinheiro e sim fazendo algo que preencha minha alma. Comprovei também que chefes neuróticos cujos egos devem ser maiores que os respectivos órgãos sexuais não servem para me comandar. Não consigo respeitar tiranos sem escrúpulos e isso é algo que nunca mudará em mim. Cada dia tenho mais certeza de que devo honrar tanto o meu diploma de Jornalista quanto o de Direito, buscando a verdade e a justiça, doam a quem doer. Minha alma não está à venda e isso é algo que sempre fará com que tenha orgulho de mim. Ainda nesse âmbito, decidi, finalmente, o caminho profissional que pretendo seguir e, embora seja uma longa estrada, tenho fé de que chegarei lá.

Fora isso, foi um ano de muita instrospecção, reflexão e auto conhecimento. Depois de muito tempo já consigo fazer novas perguntas em vez de estar atrás de antigas respostas. No meio do caos que crio diariamente tive insights que lembram muito a "luz no fim do túnel". Não estou dizendo que são a luz, veja bem! O tempo dirá. Aliás, o tempo dirá tanto sobre tanta coisa. De vez em quando, penso que perco muito tempo dando voltas em círculos, mas uma voz dentro de mim diz que é necessário porque o meu tempo é diferente do das outras pessoas. Não que eu seja melhor que os outros, ou uma rebelde como tantos tentam me definir. Cada pessoa é única, por isso, não é que eu queira ser diferente, é só que ninguém pode ser único e igual. Acho que talvez a maioria tente se encaixar, se enquadrar e não sei por quê, mas nunca fiz questão disso. Eu não espero compreensão, nem elogio, nem trégua ou cumplicidade. Eu devia ter uns oito anos quando concluí pela primeira vez que o que os outros pensam é problema deles. Então, vou no meu ritmo e pronto.

Outra coisa fantástica que descobri esse ano é que invisto muita energia falando com gente que não sabe me ouvir. Daí, tomei uma das decisões mais corajosas dos últimos tempos: fico calada. Hoje em dia parece que as pessoas têm sérias dificuldades em interpretação de texto. Fico impressionada como comentários bobos, infantis mesmo, atingem as pessoas como se fossem desaforos, afrontas e coisas do gênero. Pior, além de não saber interpretar textos, as pessoas não sabem ouvir, não conseguem entender a perspectiva do outro por se manterem em sua zona de conforto e o mais grave: ninguém quer ouvir a verdade. Existem dois tipos de pessoas: as que não têm sequer coragem de pedir opinião e as que pedem opinião em busca de endosso ao que elas pensam. Então, se não ouvem o que gostariam, ficam indignadas a ponto de passar semanas sem querer conversar. Superei essa fase quando tinha três anos de idade, por isso, quem quiser "ficar de mal comigo", vai ficar de mal sozinho porque estarei de bem.

Enfim, acho que este ano teve muitas coisas boas. Claro que teve algumas ruins, algumas tristes. Sorri muito, chorei pouco (graças a Deus!), me diverti, aprendi, cresci, amei e fui amada, comecei a enxergar sob novas perspectivas e creio que, se conseguir abandonar a preguiça, poderei ir além em 2014.

Agradeço demais a Deus por cada momento da minha vida pois sei que todos eles têm um propósito. Sou abençoada demais por ter esse entendimento. Aos meus 2 ou 3 leitores, agradeço a paciência e a lealdade de arrumarem um tempinho para ler as baboseiras que escrevo. Um feliz Natal, com uma noite voltada para o real significado desta data, que não é o presente ou a ceia, mas sim, comemorar o aniversário de Jesus, que veio ao mundo para nos salvar de nós mesmos. E que o ano vindouro chegue com ótimas energias, prosperidade e muitas coisas boas para todos nós. Até 2014!

 

 



Escrito por MSS às 01h43
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Verdades e mentiras

 

Normalmente sou taxada de grossa por minha sinceridade à flor da pele. Minha mãe, provavelmente usando de um eufemismo, costuma dizer que sou muito infantil. É, parece que a verdade ficou destinada à infância e, ainda assim, de vez em quando alguém ainda tenta disfarça-la afirmando que as crianças são cruéis ou mal educadas.

Eu penso diferente.  Somos programados desde pequenos a mentir para sermos gentis e a partir daí, perdemos completamente o controle sobre o direito de dizer o que pensamos e o que sentimos. Aprendemos a mentir para não magoar as pessoas. Será que isso é mesmo o correto?

No último domingo, estava brincando com meu sobrinho de quatro anos e ele disse que estou gorducha. Meu irmão ficou horrorizado e disse que  depois teria uma conversa com o menino.

É óbvio que não dei pulinhos de alegria com a afirmação. Mas, sendo honesta, o pequeno tem razão: estou gorducha, na verdade, imensa, gorda mesmo, obesa, com uma linha de cintura enorme, precisando urgentemente de dieta e de atividade física. Ainda bem que o vocabulário dele é primário demais para chegar a todas essas conclusões.

Mas, o importante é que ele disse a verdade. Ao longo da vidinha dele, vai aprender a usar eufemismos. Talvez, se fosse daqui a vinte anos, ele dissesse algo como: “titia, você precisa cuidar da saúde. Está se alimentando corretamente? Precisa de atividade física”. 

Quando comento com minhas amigas que engordei, sempre ouço que estou ótima, que estou linda, blá blá blá... conversa fiada! Só um menino de quatro anos para ser honesto e me dar um choque de realidade. Ele e a maldita calça jeans não mentem.

A diferença é que ele será educado para o socialmente aceitável, por isso, daqui a um tempo, vou ter que contar com meu falido bom senso e com a calça jeans somente. Porém, em relação a outras coisas da vida, provavelmente nunca vou saber a verdade: se o almoço que fiz estava gostoso; se a nova decoração da sala ficou boa; se ele gostou do presente de aniversário e por aí vai.

Vivemos em um mundo onde as pessoas não estão preparadas para a verdade. A gente cresce ouvindo e concordando que a verdade dói. E para não magoarmos uns aos outros, mascaramos, engolimos sapos, fingimos que não vimos, que não entendemos. E quando ouvimos uma verdade, ficamos fragilizados, como se fôssemos de cristal e alguém tivesse nos arremessado ao chão. Quanto drama!

Não sei se é a maturidade ou a paciência que me é furtada aos pouquinhos a cada aniversário, mas não tenho mais vontade de faltar com a verdade. Vai doer em muita gente. Fazer o quê? Posso andar com uma placa com uma advertência escrita: “só fale comigo, se estiver pronto para a verdade”. Talvez funcione, talvez não.

Quem sabe os que me acham grossa tenham razão... pode ser que mamãe esteja certa e eu  realmente seja infantil. Só que assim como ninguém me perguntou se queria nascer, ninguém perguntou se queria crescer. Tem coisas que admiro nas crianças: a sinceridade, a espontaneidade, o fato de viverem o aqui e o agora e graças a Deus são coisas que não perdi só porque fiquei adulta.

Normalmente, digo que os adultos são muito chatos porque a maioria das pessoas fica mesmo insuportável depois que cresce. Acho louvável quem consegue conservar a sua criança interior e a minha tá vivinha da Silva.

E quem quiser me achar qualquer coisa, ache porque não estou aqui para agradar.  Muitas vezes não consigo agradar nem a mim, imagine aos outros. Admitir isso em público é sinal de maturidade e honestidade, coisas de criança. Antes de mentir, seja o peso, a idade, a opinião, lembre-se do que o poeta dizia: “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. 


 



Escrito por MSS às 03h41
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A era da futilidade

Num mundo com tanta informação e meios para obtê-la, fico impressionada com a quantidade de gente burra, alienada e fútil que ainda existe por aí. Tenho a sensação de que a raça humana está mega doente e que talvez não tenha cura porque sem diagnóstico, como tratar?

São tantos os indícios, basta observar as pessoas por aí, com seus fones no ouvido e navegando pelo celular, mesmo estando acompanhadas. Isso não é normal! Mas é só a pontinha do iceberg. Parece que ninguém evolui nem amadurece. Os relacionamentos estão cada vez mais raros de poesia e os pares mais ausentes de uma conexão com a realidade.

Vejo pessoas sofrendo, se humilhando por causa de pseudo-amores não correspendidos como se já não tivessem mais amor-próprio, como se não soubessem do próprio valor e da importância de se gostar primeiro. Outros simplesmente se recusam a perceber que já passaram dos trinta e continuam se comportando como fossem adolescentes de doze. Eu não lembro a era da minha vida em que tive vergonha de dizer pra um cara que gostava dele. Mas lembro perfeitamente de quando entendi que não se pode mudar pessoas nem força-las a nos amar de volta e que por isso temos que seguir em frente livres para um novo amor.

Mas ainda não é só isso o que está me incomodando. Sou uma jornalista nada careta, nada politizada nem pseudointelectual. Tenho aversão a isso tudo, mas ainda assim acho importante saber o que acontece no mundo e ter uma opinião a respeito. Somos humanos, então, é normal indignar-se, sentir compaixão ou qualquer outra reação diante de uma notícia. Só que tenho observado o que causa comoção nacional, mundial, extra galática e fico indignada. Ok, o casal global se separou e eram tão lindos juntos, sinto muito; os animais são usados pra testes de cosméticos, totalmente inaceitável e desumano, mas é só isso?

Existem pessoas morrendo nos corredores de hospitais públicos, mulheres parindo na calçada, crianças de cinco anos viciadas em craque, meninas tendo as genitálias cortadas em países que ainda acreditam que o prazer sexual deve ser negado às mulheres, meninas morrendo aos oito anos após ferimentos causados durante a lua de mel com homens de quarenta anos e tudo isso me dói e não é tudo o que me dói porque tem gente demais sofrendo de verdade no mundo. Há crianças sendo atraídas para campos minados por brinquedos, tendo sua infância marcada pela perda de membros em decorrência das explosões dessas minas, quando sobrevivem, e ninguém diz nada.

Por outro lado, todos querem salvar os beagles, adotar um animalzinho de rua, quando há tantas crianças sem lar esperando por uma família num abrigo. Que mundo é esse, meu Deus? Onde as pessoas estão com a cabeça que não fazem uma autoanálise antes de abrir a boca pra falar tanta merda? 

Não adianta salvar as baleias, os cachorrinhos e os bichinhos em extinção ou lamentar porque mais um casal de Hollywood se separou enquanto escrevo esse texto quando existe tantas pessoas no mundo precisando de pessoas. Quem irá salvar quem? Todos precisam de salvação enquanto há tempo, enquanto ainda há neurônios pensantes e sentimentos reativos ao que acontece ao redor. Salve primeiro a sua família, salve uma criança, salve um analfabeto, salve-se da própria ignorância e do egoísmo, salve-se da futilidade e quando estiver inteiro e bom, salve um animal também.



Escrito por MSS às 07h28
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Realizando sonhos

Para quem acredita em destino existem duas maneiras de ver situações negativas: como um sinal para mudar o rumo ou como uma pedra no caminho que se deve superar. Não sei se é porque sou uma pessoa extremamente teimosa, mas tendo a crer que as adversidades são apenas obstáculos que podem e devem ser superados.

E assim começou uma jornada para uma viagem que parecia impossível. A princípio, oito mulheres determinadas a irem a São Paulo assistir o show do Bon Jovi. Então, veio a pedra número um: perdi meu emprego. Eu tinha pago os ingressos, as passagens, mas estava levando minha irmã, e por isso, me comprometi a pagar o dela. Os meses que se passaram entre essa compra e a véspera da viagem foram de muitas renúncias e cálculos.

Faltando umas duas semanas, veio a pedra número dois: minha irmã desistiu de ir. Então, recomecei a fazer cálculos e a solicitar reimbolsos, um verdadeiro transtorno. Mas, ainda assim, parecia tudo certo, mesmo com esse imprevisto.

Dias antes do show, esbarrei na pedra número três: a data do show foi alterada porque o baterista teve apendicite. O destino só poderia estar brincando comigo. Enviei e-mails para as meninas que ainda iam. Entramos em contato com as companhias aéreas e fomos informadas de que para alterar o voo, que havia sido uma bagatela comprado com antecedência, teríamos de pagar multa e mais taxas que somariam mais de oitocentos reais.

Pedra número quatro: No início, éramos oito, depois sete, a partir dessa alteração na data, apenas duas amigas estavam confirmadíssimas. As demais desistiram. Eu queria muito ir, mas tinha a pedra número cinco, minhas amigas compraram passagens em uma companhia diferente da que comprei e eu não voo sozinha nem por milhões de dólares.

Iniciou-se então uma corrida contra o tempo na tentativa de me encaixar no mesmo voo que as meninas, num assento perto do delas, de preferência ABC ou DEF, e, ao mesmo tempo, pedir o ressarcimento na outra companhia.

Deus ajuda a quem acredita e conseguimos milagrosamente resolver todos esses percalços. Mas é claro que tinha a pedra número seis: eu precisava de dinheiro. Fui tentar sacar meu FGTS, e se por um lado consegui, de outro não me serviria de nada, uma vez que ele só cairia na minha conta uma semana após eu voltar da viagem. Então, consegui um bico de última hora e faturei não uma fortuna, mas o suficiente pra comer, pagar o hotel e o transporte nos dias em que ficaria em São Paulo.

Malas prontas, decolamos e passamos quatro dias incríveis numa das cidades que mais amo no mundo. Viagem mais que perfeita. Andávamos o dia todo em busca de liquidações e turistando e curtíamos um pouco da maravilhosa noite paulistana.

O show foi debaixo de chuva, mas também trouxe momentos emocionantes. Claro que tivemos algumas pedras como passar mais de duas horas numa fila que dava a volta no Estádio do Morumbi, num terreno íngreme, cheio de descidas e subidas, uma verdadeira ginástica (só que a gente já havia andando e dançado horrores nos dias e noites anteriores). A volta pro hotel foi outra pedrinha: caminhamos mais dez quilômetros até conseguir um táxi, isso debaixo de uma chuva forte. Mas, valeu a pena.

Desde que voltei para casa, só penso em começar a planejar a próxima viagem. Além disso, estou esperando meus pés desincharem, apesar de já ter se passado uma semana. O sono é outra coisa que não estou conseguindo por em dia... uma hora consigo.

E de toda essa forte experiência, o que mais me marcou é que quando a gente quer muito uma coisa, não importa quantos obstáculos surgirão ou quantos não serão ditos, sempre é possível encontrar uma maneira de realizar um sonho. Eu sempre digo que meus sonhos não têm preço, e quando falo isso não me refiro apenas a dinheiro. Muitas vezes, para conseguir algo é preciso abrir mão de outra coisa, então, no meu caso, abro sem medo por ter certeza de que a felicidade é a coisa mais importante do mundo. 

Quando ainda estava em São Paulo liguei para a minha mãe e ela me perguntou como eu estava. A resposta foi: "Mãe, eu tô muito feliz!" e acho que foi uma das raras vezes na minha vida em que disse isso com a alma, com o coração, com a consciência plena de estar vivenciando um momento de felicidade. Foi tão genuíno, forte, sincero...foi uma sensação que adoraria capturar e sentir perpetuamente, mas isso não é possível. Vou sentir algo assim de novo, tenho certeza, só não sei quando. Como disse o poeta "quem acredita sempre alcança".



Escrito por MSS às 05h04
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Sobre perdas

Ontem eu tive um insight sobre o quanto vamos perdendo desde que nascemos até a morte.

Tudo começa quando somos expulsos do útero e temos o cordão umbilical cortado. Primeiras grandes perdas. A sensação de calor, amor e proteção até então experimentadas não se repitirá em nenhum outro momento da vida.

Então, começamos a crescer. Perdemos dentes, perdemos entes e vamos perdendo uma porção de coisas. De algumas delas não sentiremos falta. Até faremos festa para comemorar. Outras lamentaremos à exaustão, derramando rios de lágrimas, perdendo noites de sono, o apetite e, de vez em quando, até a vontade de viver.

Não tenho ideia de como nos tornamos fortes para resistir a tantas perdas e o sofrimento que vem junto com elas. Talvez por isso a gente já tenha de nascer perdendo, para ir adquirindo o costume antes mesmo de aprender a falar, mesmo antes de saber o que é sentimento e que, com exceção dos psicopatas, todo mundo sente.

Acho que a gente cresce com a dor. Bom, pelo menos eu aparentemente só consigo aprender com algumas doses de sofrimento. Não quero saber da experiência alheia para aprender. Quero sentir na minha carne e descobrir do meu jeito como alguma coisa é. Sempre fui assim, um ser que pretende encontrar seu próprio jeito de sentir e reagir. Portanto, lições prontas não me interessam. E sou assim com tudo, para o bem e para o mal, para ganhar e para perder.

No momento, estou tão perdida que até meu modo de lidar com o tempo está ao contrário. Virei uma vampira acordada a noite toda, dormindo o dia todo. Perdi a noção do tempo e do espaço, assim como perdi o emprego, assim como já perdi amores, já perdi objetos, já perdi a hora... depois, sempre tentei resgatar. Talvez porque depois que minha avó morreu, entendi que nem tudo pode ser resgatado.  Mas, creio que ela sabe que eu teria dado mais tempo e atenção a ela, se soubesse que seria levada de nós tão de repente. Sempre sonho com ela e sei que cada benção que ela me deu em vida seguirá me abençoando até o fim dos meus dias.

Eu não queria perder para perceber o significado e a importância das coisas na minha vida. Mas essa é uma lição que não consigo tirar do campo do conhecimento para aplicar na prática. Seria eu a mais estúpida criatura sobre a Terra? Talvez. Já perdi a pretensão de me achar a mais esperta, a mais bonita, a mais invencível... eu me convenci de que sou tão pequena diante de Deus e do mundo. 

Agora é hora de tentar encontrar equilíbrio, paz, sabedoria e força de vontade pra me redescobrir e para não deixar mais nada se perder antes que eu possa realmente sentir o gosto, saber o significado e, no caso das pessoas demonstrar o quanto elas são importantes para mim. A vida não pode se tornar um eterno lamentar por más escolhas. 



Escrito por MSS às 05h23
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Recomeço

Já perdi as contas de quantas vezes recomecei. Acho que recomeçar cansa. Chega um momento da vida em que tudo o que se quer é a mesmice daquela rotina careta e cheia de regras antes rechaçada. Será que isso é crescer?

Isso me fez lembrar aquela música dos Titãs,"Não vou me adaptar" que diz: "Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia...eu não tenho mais a cara que eu tinha/ No espelho essa cara já não é minha/É que quando eu me toquei achei tão estranho..."

Então, a vida é isso: Um belo dia olhar-se no espelho e não se reconhecer. Que maravilha! Mais irônico: a certeza de que é necessário se adaptar, caso contrário, será sempre necessário recomeçar. Pior ainda: Mesmo se adaptanto, ainda assim, pode ser que seja necessário recomeçar de vez em quando. Cansativo, não?

Pela primeira vez na vida começo a desconfiar que talvez seja mais fácil lutar contra mim do que lutar contra o mundo todo. Não, não vou me "vender ao sistema" ou me render abrindo mão dos meus princípios. Não vou entregar a cabeça de alguém para salvar a minha. Mas preciso achar meu lugar no mundo. Se por um lado não quero me tornar igual a todas as pessoas que sempre critiquei, por outro não quero me  tornar parecida com outras que conheço que mentem a idade e mantêm as cabeças  ocas achando que assim vão parar o tempo.

As rugas surgem e as da alma são infinitamente mais profundas que as da face. A idade finalmente pesou. E deve pesar muito mais para quem finge que ainda tem 20. Eu não conseguiria fazer isso porque passei meus 34 anos vivendo e não fugindo do tempo.

Eu quero coisas que não tenho. Talvez nem precise de algumas delas, mas querer é um dos poucos verbos que todo mundo pode conjugar na primeira pessoa do singular, independente de cor, credo, classe social, preferência sexual etc. Todo mundo pode querer alguma coisa. Eu quero uma casa, um amor pra vida toda, filhos e um emprego estável. Sonho padrão e pouco ambicioso, eu sei, mas é o que quero.

E acho que esse texto é sobre vários quereres. O sonho da estabilidade, o sonho da realização profissional e pessoal, o direito de querer e sonhar, o direito de concretizar que, quando não nos é negado ou roubado, pode passar despercebido enquanto nos entretemos com outras coisas. Desviar-se do caminho é muito fácil.

Entregarmo-nos ao delírio de que somos eternos é muito fácil. Contudo, já não temos todo o tempo do mundo aos 34 anos, embora ainda sejamos tão jovens.

Não sei se é cedo ou tarde, mas sei que sempre é possível fazer escolhas. A minha escolha hoje é fazer por onde realizar meus sonhos porque daqui a dez anos será muito tarde para alguns deles. Os vinte se foram. A hora é agora. Recomeçar, de novo, e quantas vezes forem necessárias, mas sem desistir de mim.



Escrito por MSS às 02h39
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No meio da contradição

Peder a inspiração é algo que acontece de vez em quando comigo e tudo fica entre morno e frio. Preciso ser motivada para as coisas fluirem, então, meus dias estão cinzentos ultimamente, independente do sol brilhando do outro lado da janela.

Quando fico assim, deveria ter o direito de ficar na minha, e só fazer o que conseguisse ou sentisse vontade de fazer. No momento, a vontade é de fazer nada. O silêncio me cai bem. Não tenho nada a dizer e ao mesmo tempo queria sair por aí gritando. Eu e minhas contradições.

A verdadeira conspiração que a vida trama contra ou a meu favor incomoda e me acomoda. Não sou infeliz, mas não estou alegre nos últimos tempos. Sinto falta de alguns vazios, sinto falta de coisas que preenchiam outros vazios, sinto falta de mim mesma em inúmeras circunstâncias.

O tempo não é favorável, tornou-se inimigo que castiga, pressiona, me obrigando a buscar soluções que não estou apta a encontrar. Eu amadureci e entendi tanta coisa, mas isso não facilitou  minha vida em nada, pelo contrário, me tornou mais rígida e alimentou a minha capacidade de auto punição. Se sei que tudo está errado, me castigo. É uma fatalidade.

Nascer pisciano é um carma pesado de vez em quando. Amo ser quem sou, mas tenho medo do que posso me tornar. Quantas cotradições fazem de mim uma pessoa tão difícil de ser entendida, como se eu quisesse compreensão. Aceitação já me faria muito feliz.

Estou presa numa existência da qual não pretendo fugir e à qual muitas vezes não consigo suportar. Saudade da minha doçura e leveza que me deixaram esses dias...quero me encontrar, mas não sei onde estou, como diria o poeta.....vem comigo procurar algum lugar mais calmo



Escrito por MSS às 13h45
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O que não mata engorda

Retornar para a dieta em época de festas juninas é uma decisão pouco inteligente, principalmente quando se ama loucamente os pratos servidos nesse tipo de festa. Mas o que realmente me incomoda é a total consciência sobre a minha incapacidade de resistir às iguarias ofertadas nesses eventos.

Por que minha força de vontade é tão claramente inferior ao desejo básico de consumir alimentos calóricos, de baixo teor nutritivo, que só servirão para alimentar minhas celulites, culotes e barriga?

Mundinho cruel. Por ironia do destino, a nutricionista marca a consulta justamente para esta semana. À época da marcação, nem percebi que cairia bem no meio dos festejos juninos. Mas depois de me empanturrar de canjica, milho, churrasquinho e outras guloseimas por dois dias seguidos, chega a doer o desespero de me imaginar sobre a balança do consultório, assistindo aqueles números se elevando no mostrador digital, saindo de zero para Deus sabe lá quantos quilos.

Minha estratégia inicial será a disciplina militar para seguir a dieta até quarta-feira, dia da consulta. A intenção é tentar perder magicamente dois quilos em dois dias. Claro que sei que é uma meta improvável, mas, a fé move montanhas e de vez em quando é preciso crer em milagres.

É claro que Deus tem coisas mais importantes para focar do que em ludibriar minha nutricionista, mas, não consigo deixar de depositar a fé em tudo o que faço. Até porque perderia o sentido. Claro que o milagre que espero depende mais de mim, um ser totalmente fraco e propenso ao pecado da gula, do que a qualquer ente que não seja mortal.

O jeito agora é fazer o que está a meu alcance e aprender a ser mais compromissada comigo e com as metas estabelecidas. Mas, acho que tudo isso fica para a próxima consulta. Na de depois de amanhã, a reprovação é certa e não há o que fazer a respeito.



Escrito por MSS às 10h44
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